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Talibãs açoitam 27 pessoas em praça pública

Vinte e sete pessoas foram açoitadas hoje frente a uma multidão, no Afeganistão, um dia após a primeira execução pública ordenada desde o retorno dos talibãs ao poder, cujo regime descreveu as críticas internacionais como "interferência".

Talibãs açoitam 27 pessoas em praça pública

Hoje, em Charikar, capital da província de Parwan (oeste), "27 criminosos, entre os quais 18 homens e 9 mulheres, foram açoitados por ordem dos tribunais da Sharia [lei islâmica] da referida província", explicou o Supremo Tribunal.

As razões mencionadas para esta punição são, entre outras: sodomia, adultério, falso testemunho, libertinagem, fuga do lar conjugal ou roubo, bem como venda e posse de drogas.

"Cada um destes criminosos confessou os crimes no tribunal sem recorrer à força e ficou satisfeito com a punição dada pelo tribunal", disse uma fonte à agência noticiosa France Presse (AFP).

Uma testemunha disse à AFP que mais de mil pessoas assistiram à flagelação organizada num estádio da cidade. "O público cantou 'Allah Akbar' e 'queremos que a lei de Deus seja aplicada em nosso solo'", contou.

"Os açoitados receberam de 20 a 39 golpes de bengala de uma equipa dos talibãs que trocava de lugar à medida que ficavam cansados". "A maioria dos homens contorcia-se, enquanto as mulheres gritavam de dor", segundo a testemunha.

Na quarta-feira, pela primeira vez desde o seu retorno ao poder em agosto de 2021, os talibãs executaram um homem acusado de assassinato na frente de várias centenas de pessoas em Farah (oeste).

O condenado foi morto por três tiros disparados pelo pai da vítima, segundo a lei de retaliação.

Esta situação foi fortemente criticada, em particular pelos Estados Unidos e pela França.

Washington apelidou o ato de "odioso" e lamentou que os talibãs não estejam a cumprir as promessas que fizeram à comunidade internacional.

"Isso mostra, em nossa opinião, que os talibãs estão a tentar retornar às suas retrógradas e violentas práticas dos anos 1990", disse Ned Price, porta-voz do Departamento de Estado dos Estados Unidos.

Sob o primeiro regime talibã (1996-2001), os talibãs puniam publicamente os perpetradores de roubo, sequestro ou adultério, com penas como amputação de um membro e apedrejamento.

"A França condena nos termos mais veementes a execução pública realizada hoje pelos talibãs no Afeganistão", reagiu, por seu lado, o Ministério dos Negócios Estrangeiros francês num comunicado de imprensa.

O porta-voz dos talibãs, Zabihullah Mujahid, reagiu, considerando tratar-se de uma "interferência".

O facto de o Afeganistão ser criticado "demonstra que certos países e organizações" têm "um problema com o Islão e não respeitam as crenças e as leis dos muçulmanos", denunciou num comunicado de imprensa.

Após seu regresso ao poder, os talibãs prometeram ser mais flexíveis na aplicação da Sharia, mas voltaram, em grande parte, à interpretação rigorosa do Islão que marcou sua primeira passagem ao poder.

Em meados de novembro, o líder supremo dos talibãs, Hibatullah Akhundzada, ordenou aos juízes que aplicassem todos os aspetos da lei islâmica, incluindo execuções públicas, apedrejamentos, açoites e amputação de membros para ladrões.

Leia Também: ONU expressa "profunda preocupação" com execução pública no Afeganistão

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