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Ex-dirigente detido no Qatar foi torturado dias antes do Mundial'2022

Abdullah Ibhais denunciou tratamento dos trabalhadores migrantes no Qatar.

Ex-dirigente detido no Qatar foi torturado dias antes do Mundial'2022
Notícias ao Minuto

20:56 - 07/12/22 por Notícias ao Minuto

Mundo Mundial 2022

Abdullah Ibhais, ex-responsável de comunicação do Comité Supremo do Qatar, órgão responsável pela organização do Mundial'2022, que foi detido após levantar preocupações sobre o tratamento de trabalhadores migrantes, alega ter sido torturado nos dias que antecederam a competição de futebol.

Numa carta, divulgada pela Fair Square e pela Amnistia Internacional, a família de Abdullah Ibhais afirma que este passou quatro dias "em completa escuridão",  num "confinamento solitário", depois "de ser agredido fisicamente" e torturado com um ar condicionado.

"Ele estava numa cela de dois metros por um, com um buraco no chão como casa de banho e com temperaturas próximas de zero", indica a carta, citada pelo The Guardian.

"'Eu já estava com vários hematomas (...) temia o pior o tempo todo, pois o ar frio direcionado para mim não parava. Quase não dormi durante esses quatro dias', disse-nos ele”, lê-se na carta.

A família está agora a pedir a intervenção das Nações Unidas, depois de Abdullah Ibhais ter esgotado todas as vias legais no Qatar. 

Recorde-se que Abdullah Ibhais foi detido, pela primeira vez, em 2019. O responsável alegou ter encontrado 200 trabalhadores no Education-City Stadium e no Al Bayt Stadium que não tinham água potável e não eram pagos há quatro meses.

Abdullah Ibhais foi depois afastado da comunicação do Comité Supremo do Qatar, acusado de fraude relativamente a um contrato de produção de conteúdos para as redes sociais do Mundial'2022, e posteriormente condenado a uma pena de prisão de cinco anos.

Abdullah Ibhais, de ascendência palestina e jordana, rejeitou sempre as acusações e acabou por ser libertado sob fiança. No entanto, foi novamente detido, no passado mês de novembro, devido a represálias por defender os direitos dos trabalhadores migrantes no país, segundo o próprio.

A Fair Square denunciou que Abdullah Ibhais pediu ajuda à FIFA antes de ser preso, tendo enviando "mensagens diretamente para membros da equipa de direitos humanos" do organismo.

"A dado momento, no entanto, eles simplesmente desapareceram", afirmou.

Anteriormente, num comunicado enviado ao The Guardian, a FIFA diz ter falado com Abdullah Ibhais por "várias vezes", assim como com as autoridades do Qatar, prometendo "continuar a acompanhar este assunto atentamente".

Na carta agora divulgada, a família do antigo dirigente também aponta críticas ao organismo regulador do futebol: "A FIFA é cúmplice da prisão de Abdullah e o silêncio da FIFA está a destruir a nossa família".

"Estamos a pedir à FIFA que assuma a responsabilidade e finalmente reconheça esta farsa dos direitos humanos. Apelamos às autoridades do Qatar pela libertação imediata de Abdullah e pedimos a todas as organizações de direitos humanos, jornalistas, ativistas, jogadores e ao público do Mundial que peçam a liberdade de Abdullah", rematam.

Leia Também: Trabalhador migrante morre em resort onde estava hospedada seleção

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