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Milhares protestam nas ruas da Mongólia contra a corrupção e a inflação

Milhares de pessoas enfrentaram temperaturas abaixo dos 20 graus negativos na capital da Mongólia, para protestar devido a suspeitas de corrupção na indústria do carvão e à aceleração da inflação.

Os manifestantes, na sua maioria jovens, juntaram-se, na segunda-feira, na praça central de Sukhbaatar em Ulan Bator, sede do palácio do governo, apesar do frio (-21°C), para exigir "justiça" contra funcionários corruptos e a demissão do Parlamento.

A Mongólia enfrenta uma inflação homóloga que chegou a 15,2% após a invasão russa da Ucrânia.

"Ajudem-nos, o nosso país está em risco de colapso", podia ler-se no cartaz de um dos manifestantes.

Dois pastores nómadas disseram à agência de notícias France-Presse (AFP) que se deslocaram à capital para participar na manifestação.

"Não fazer nada não é bom. Acho que é normal que os jovens fiquem com raiva", disse Enkh Amidral, pai de três filhos, à AFP, dizendo que quer que o governo "puna os ladrões".

Os governantes "parecem ter esquecido o que nos prometeram -- eles prometeram-nos uma vida melhor. Eles deveriam tornar as coisas melhores", disse Bayarmaa.

"Mas eles não fazem nada, pegam no nosso dinheiro e vivem dele", acrescentou a estudante.

A polícia dispersou a multidão por volta das 21:00 (13:00 em Lisboa), um dia depois de uma manifestação de várias centenas de pessoas, disse a embaixada dos EUA em Ulaanbaatar, durante a qual os manifestantes tentaram chegar à residência oficial do Presidente e do primeiro-ministro "onde foram rechaçados por uma barricada policial".

Os protestos surgem após revelações de denunciantes de que milhares de milhões de euros da mineração de carvão terão ido para os bolsos de legisladores ligados ao setor.

Em meados de novembro, a autoridade anticorrupção da Mongólia anunciou que mais de 30 funcionários, incluindo o líder da empresa estatal de mineração de carvão Erdenes Tavan Tolgoi JSC, estavam sob investigação por peculato.

Os legisladores envolvidos supostamente tiraram partido da propriedade de minas de carvão e das empresas que transportam o combustível fóssil para a China para obter lucros ilegais.

Atualmente, 86% das exportações totais da Mongólia vão para a China, sendo que o carvão representa metade dessas compras chinesas.

O país tem lutado contra a instabilidade política desde a primeira constituição democrática em 1992, quando emergiu da órbita da União Soviética.

Leia Também: Ovelhas na Mongólia andam em círculos há 12 dias. Ninguém sabe porquê

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