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EUA e Alemanha duvidam que situação das mulheres no Irão vá melhorar

As potências ocidentais questionaram hoje o impacto do inesperado anúncio da extinção da polícia da moralidade no Irão, após quase três meses de manifestações, "nada indicando", segundo Washington, que a situação das mulheres no país vá melhorar.

EUA e Alemanha duvidam que situação das mulheres no Irão vá melhorar
Notícias ao Minuto

16:12 - 05/12/22 por Lusa

Mundo Irão

Ativistas que têm apoiado o movimento de contestação sem precedentes, desencadeado pela morte da jovem curda iraniana Mahsa Amini, a 16 de setembro, às mãos de agentes daquela força policial da República Islâmica proclamada em 1979, também não constataram qualquer alteração no rígido código de vestuário imposto às mulheres no Irão.

A 13 de setembro, Mahsa Amini, de 22 anos, foi violentamente agredida e detida em Teerão pela polícia da moralidade, responsável pelo cumprimento do rígido código de vestuário feminino do país, porque, embora envergasse o 'hijab' (véu islâmico), este deixava à vista parte do seu cabelo. No mesmo dia, foi transportada em coma para um hospital, onde morreria três dias depois.

O anúncio da dissolução dessa tão temida força policial "não mudará nada" na mobilização dos iranianos, declarou uma porta-voz do Governo alemão.

"Infelizmente, nada indica que os líderes iranianos vão melhorar a forma como tratam as mulheres e as raparigas ou pôr fim à violência que infligem aos manifestantes pacíficos", afirmou, por sua vez, um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano.

Foram emitidos apelos nas redes sociais para a realização de uma greve de três dias no Irão.

No fim de semana, o procurador-geral iraniano, Mohammad Jafar Montazeri, anunciou a extinção da polícia da moralidade, criada em 2006, durante o mandato do Presidente ultraconservador Mahmud Ahmadinejad (2005-2013) para "difundir a cultura da decência e de uso do véu".

O anúncio de Montazeri foi encarado como uma cedência aos manifestantes. Mas ativistas dos direitos humanos interpretaram-no, em vez disso, como uma resposta improvisada a uma questão colocada numa conferência.

Consideram também que a extinção da polícia da moralidade, mesmo que se torne realidade, não alterará em nada a obrigatoriedade de uso do véu, imposta por uma lei datada de 1983.

A supressão das unidades dessa força policial será "provavelmente demasiado limitada e chega demasiado tarde" para os manifestantes, que agora exigem uma mudança de regime, explicou Roya Boroumand, cofundadora do grupo de defesa dos direitos humanos Abdorrahman Boroumand Center, com sede nos Estados Unidos, citada pela agência de notícias francesa AFP.

"Trata-se apenas de uma transferência da polícia da moralidade", observou, acrescentando que "nada impede que outras instituições" façam cumprir "leis discriminatórias".

Composta por homens fardados de verde e mulheres envergando o 'chador' negro (veste feminina que cobre o corpo todo exceto o rosto), a polícia da moralidade (ou dos costumes) iniciou as suas patrulhas em 2006, com o objetivo de fazer respeitar o código de vestuário que proíbe também as mulheres de usarem calças justas ou calções.

A rejeição do uso obrigatório do 'hijab' esteve na origem das primeiras manifestações que se seguiram à morte de Mahsa Amini, iniciando um movimento de desobediência civil em vários pontos do país. Mas a contestação, alimentada pela revolta contra as condições económicas e a repressão política é agora abertamente dirigida contra o regime.

Segundo informações procedentes de Teerão, as carrinhas da polícia da moralidade são menos numerosas nas ruas desde o início dos protestos.

Desde a morte de Mahsa Amini, um crescente número de mulheres sai à rua de cabeça descoberta, em especial no norte da capital iraniana, uma zona mais abastada. Imagens mostram mulheres a quebrar os tabus, participando em manifestações ou indo às compras de cabelo descoberto, sem qualquer proteção.

"A suposta supressão da polícia da moralidade não quer dizer nada, porque ela já não tinha qualquer propósito, devido ao nível maciço de desobediência civil entre as mulheres", sublinhou Omid Memarian, analista da Democracy for the Arab World Now.

De acordo com Memarian, o uso do véu é "um dos pilares da República Islâmica. Abolir tais leis e tais estruturas significaria uma mudança fundamental na identidade e na existência da República Islâmica".

A declaração do procurador-geral iraniano e a confusão que ela desencadeou foram interpretadas como um sinal de preocupação do regime, perante uma contestação social que não dá sinais de enfraquecer.

A repressão já fez 448 mortos, segundo um balanço da organização não-governamental (ONG) Iran Human Rights (IHR), sediada em Oslo.

Hoje, só os diários reformistas publicaram a informação na primeira página: "Será o fim das patrulhas?", questiona o jornal reformista Shargh, sublinhando que o anúncio de extinção daquela força policial não foi confirmado pelo serviço de relações públicas da polícia.

O véu "continua a ser obrigatório", observou Shadi Sadr, cofundador do grupo Justice for Iran, com sede em Londres, acrescentando: "Embora a morte de Mahsa Amini tenha desencadeado os protestos, os iranianos não desistirão até que o regime caia".

Leia Também: Irão. Poder judicial anuncia que alguns manifestantes vão ser executados

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