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Polémica. Adiada reunião com Ramaphosa na África do Sul sobre corrupção

O Congresso Nacional Africano (ANC), partido no poder na África do Sul, voltou hoje a adiar uma reunião com o seu líder e Presidente, Cyril Ramaphosa, sobre o futuro da liderança, após um alegado escândalo de corrupção.

Polémica. Adiada reunião com Ramaphosa na África do Sul sobre corrupção

Ramaphosa, que é também Presidente da República, decidiu não comparecer à reunião do comité executivo, órgão máximo de decisão no partido governante (NEC, na sigla em inglês), em Joanesburgo, foi anunciado. O encontro foi adiado pela segunda vez em cerca de 48 horas.

A direção do partido pretendia discutir a intenção do presidente de renunciar ao cargo na sequência de um relatório parlamentar, apresentado quarta-feira à Assembleia Nacional, que sugere que o chefe de Estado pode ter violado leis anticorrupção num alegado incidente de roubo de uma elevada quantia de dinheiro encontrada dissimulada nos estofos dos sofás na sua quinta Phala Phala, em 2020.

"O presidente continua em consultas", referiu à imprensa o tesoureiro do partido, Paul Mashatile, acrescentando que os dirigentes do ANC decidiram marcar nova reunião para domingo.

Todavia, Mashatile sublinhou que Ramaphosa ainda não se reuniu com a direção do ANC desde a divulgação do relatório.

"Há urgência em resolver este assunto antes da próxima semana", referiu Mashatile.

Ramaphosa tem-se reunido com os seus "aliados" no seio do partido governante, uma vez que alguns membros do NEC consideram que o presidente "desrespeitou as estruturas" do partido e que por isso "deveria renunciar", segundo a imprensa local.

O ex-presidente Thabo Mbeki manifestou hoje a sua oposição à discussão do relatório sobre Phala Phala sem a presença na reunião do presidente do partido.

Os deputados na Assembleia Nacional, onde o ANC detém a maioria, devem debater o relatório da comissão parlamentar na terça-feira, e votar também se o processo de destituição do presidente deve avançar.

Ramaphosa, que ambiciona a reeleição na liderança do partido no congresso nacional eletivo agendado para entre 16 e 20 deste mês, em Joanesburgo, negou irregularidades.

O presidente adiou uma comunicação ao país na quinta-feira para anunciar a sua decisão depois de se reunir com os seus conselheiros e aliados na Cidade do Cabo.

"Seria prematuro para o presidente renunciar sem o devido processo", considerou hoje o ministro da Energia e Minas, Gwede Mantashe, em declarações a um canal de televisão local.

O arcebispo anglicano Thabo Makgoba considerou que "a África do Sul enfrenta uma crise" e que o partido no poder "parece estar em colapso".

Fontes próximas ao ANC indicaram à Lusa que Ramaphosa considerou demitir-se do cargo na quinta-feira, despoletando uma maratona de contactos com "todos os órgãos" do Governo, do partido e os parceiros da aliança governativa que integra a confederação sindical Cosatu, e o Partido Comunista da África do Sul (SACP), e uma "ampla gama de partes interessadas", segundo o seu porta-voz, que sublinhou já na noite do mesmo dia "a urgência e enormidade desta questão e o que significa para o país e para a estabilidade do governo".

Ao que tudo indica, os assessores jurídicos do Presidente pretendem analisar o relatório da comissão parlamentar, sendo que Ramaphosa "solicitará" ao comité executivo do seu partido que permita que o processo seja concluído primeiro, segundo uma fonte jurídica à Lusa.

Leia Também: ANC reúne para decidir destino de presidente sul-africano

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