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Delfim Neves diz que assalto ao quartel foi "montagem" para o acusar

O ex-presidente do parlamento são-tomense Delfim Neves afirmou hoje que o assalto ao quartel-general militar, na sexta-feira, foi "uma montagem" para o acusar e pediu a intervenção da comunidade internacional perante "a perseguição para aniquilação física" de opositores políticos.

Delfim Neves diz que assalto ao quartel foi "montagem" para o acusar

"Isso foi uma montagem apenas para acusar Delfim Neves e supostamente Arlécio Costa", declarou Delfim Neves, que foi libertado na terça-feira, com termo de identidade e residência e obrigatoriedade de apresentação periódica às autoridades, depois de ter sido preso pelos militares, ao início da manhã de sexta-feira, por alegadamente ter sido identificado como um dos mandantes do ataque.

"Quero apelar à população para estar atenta. (...) Se não houver uma forma de travar esta onda de ações maquiavélicas, garanto-vos que não vamos parar por aqui. As próximas vítimas que neste momento ainda continuam na lista vão desaparecer sem rasto", afirmou, numa conferência de imprensa.

Quatro pessoas morreram, em circunstâncias que estão sob investigação, e 16 foram detidas, incluindo 12 militares, após o ataque de sexta-feira a um quartel militar em São Tomé e Príncipe, numa ação classificada como "tentativa de golpe de Estado" pelas autoridades são-tomenses e condenada pela comunidade internacional.

Entre os mortos está o antigo oficial do 'batalhão Búfalo' Arlécio Costa, condenado em 2009 por tentativa de golpe de Estado, e apontado como suspeito de ser um dos mandantes do ataque juntamente com o ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves -- ambos detidos pelos militares nas suas respetivas casas.

Nas suas declarações de hoje à imprensa, Delfim Neves disse esperar que "a comunidade internacional entenda e faça qualquer coisa rapidamente".

"O que está a acontecer no nosso país é uma perseguição de aniquilação física das pessoas que podem incomodar politicamente. E eu sou uma delas. Não estou tranquilo porque se a estratégia falhou, por alguma razão, então vão ao plano B, C ou D", comentou.

Três dos quatro atacantes e Arlécio Costa morreram na sexta-feira e imagens dos homens com marcas de agressão, ensanguentados e com as mãos amarradas atrás das costas, ainda com vida e também já na morgue, foram amplamente divulgadas nas redes sociais. Alguns vídeos mostram Arlécio Costa no chão, de mãos presas, a ser agredido com um pau.

O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, brigadeiro Olinto Paquete, afirmou no domingo que os três assaltantes morreram na sequência de uma explosão quando os militares procuravam libertar o refém e Arlécio Costa porque se "atirou da viatura".

Delfim Neves, eleito nas legislativas de outubro de 2018 pelo Partido de Convergência Democrática (PCD), presidiu ao parlamento são-tomense no anterior mandato, que terminou com a vitória da Ação Democrática Independente (ADI) com maioria absoluta nas eleições de setembro passado.

Nestas legislativas, foi eleito deputado, juntamente com o ex-secretário-geral da ADI Levy Nazaré, pelo movimento Basta, criado em junho do ano passado. Atualmente tem o mandato suspenso.

Delfim Neves também concorreu às presidenciais de 2021, tendo ficado colocado em terceiro lugar na primeira volta, resultado que contestou alegando ter ocorrido uma fraude "maciça".

Leia Também: São Tomé. Delfim Neves libertado sem indícios de envolvimento em ataque

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