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Rússia recusa discutir armas nucleares enquanto EUA enviarem armas a Kyiv

Moscovo diz que não vai falar com os Estados Unidos, uma vez que o país está a "planear enviar mais armas para a região do conflito".

Rússia recusa discutir armas nucleares enquanto EUA enviarem armas a Kyiv
Notícias ao Minuto

11:16 - 30/11/22 por Notícias ao Minuto com Lusa

Mundo Guerra na Ucrânia

A Rússia disse, esta quarta-feira, que não vai discutir o tratado New START com os Estados Unidos, enquanto Washington continuar a enviar armas para a Ucrânia. 

De acordo com a agência estatal russa Tass, esta posição foi dada a conhecer pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo, Maria Zakharova, à rádio Sputnik.

"Os Estados Unidos estão a planear enviar mais armas para a região do conflito em que a Rússia está envolvida. Portanto, eles continuarão a fornecer todas aquelas armas e incitarão o regime de Kyiv a cometer mais derramamento de sangue, enquanto alocam fundos para atividades extremistas conduzidas sob a autoridade de indivíduos em Bankovaya Streat [onde está localizada a Administração Presidencial da Ucrânia] - que estão longe de serem pessoas racionais - enquanto nos sentamos para discutir questões de segurança mútua com eles, incluindo aquelas do seus interesse?", questionou.

Segundo a diplomata, Moscovo aprecia o tratado de desarmamento nuclear, uma vez que responde aos interesses de ambos os países, mas têm de estar em vigor as condições apropriadas para discuti-lo.

Recorde-se que, na segunda-feira, a Rússia adiou uma reunião com os Estados Unidos para discutir o tratado, que deveria ocorrer de 29 de dezembro a 6 dezembro, no Cairo, sem indicar um motivo. O anúncio foi feito pela embaixada norte-americana em Moscovo e o adiamento foi confirmado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Rússia. 

A reunião tinha sido anunciada pelo vice-ministro dos Negócios Estrangeiros da Rússia, Serguei Riabkov, após uma reunião, em Ancara, em 14 de novembro, entre o diretor do Serviço de Informações Externas russo, Serguei Naryshkin, e o diretor da CIA, William Burns.

Durante a reunião, os dois responsáveis pelos serviços secretos da Rússia e dos Estados Unidos discutiram o risco nuclear crescente e as tensões internacionais decorrentes da intervenção militar russa na Ucrânia.

Os Estados Unidos suspenderam o diálogo sobre controlo de armas na sequência da invasão russa da Ucrânia, que Moscovo lançou em 24 de fevereiro deste ano.

Em agosto, a Rússia informou Washington da sua decisão de proibir as inspeções 'in loco' dos Estados Unidos ao seu arsenal de armas nucleares.

Moscovo alegou dificuldades em fazer as suas inspeções nos Estados Unidos devido às sanções ocidentais sobre autorizações de sobrevoo e vistos para os seus funcionários, decretadas em retaliação pela invasão da Ucrânia.

Em fevereiro de 2021, o presidente russo, Vladimir Putin, e o seu homólogo norte-americano, Joe Biden, prorrogaram por cinco anos o último tratado de desarmamento nuclear entre as duas potências, assinado em 2010.

O New START, que inclui especificamente um sistema de inspeção dos arsenais, consistia em reduzir o número de ogivas nucleares em 30 por cento, para 1.550 por país.

O tratado também limitou a 700 o número de mísseis balísticos intercontinentais utilizados em submarinos e bombardeiros estratégicos equipados para armas nucleares.

Reduziu ainda para 800 o número de lançadores de mísseis intercontinentais em submarinos e bombardeiros estratégicos com armamento nuclear.

A Rússia ameaçou usar armas nucleares se for posta em causa a sua integridade territorial, conforme o protocolo em vigor no país sobre o recurso a este tipo de armamento.

Essa possibilidade foi reafirmada por Putin quando declarou a anexação das regiões ucranianas de Donetsk, Lugansk, Kherson e Zaporijia, em 30 de setembro.

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