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Governo são-tomense promete investigação às mortes após ataque a quartel

O Governo de São Tomé e Príncipe garantiu hoje que todas as mortes decorrentes da "tentativa de golpe de Estado" serão investigadas, para além de um inquérito para esclarecer os acontecimentos de sexta-feira.

Governo são-tomense promete investigação às mortes após ataque a quartel

"O Conselho de Ministros informa que, conforme a lei, todos os inquéritos serão diligenciados para apurar as causas e circunstâncias das mortes, para além das investigações levadas a cabo para esclarecer os acontecimentos e responsabilizar todos aqueles que poderão neles estar envolvidos", lê-se no comunicado divulgado após a primeira reunião extraordinária do novo Governo liderado por Patrice Trovoada.

O assalto ao quartel, que se prolongou por quase seis horas, com intensas trocas de tiros e explosões, foi neutralizado pelas 06:00 locais (mesma hora em Lisboa) desta sexta-feira, com a detenção dos quatro assaltantes e de alguns militares suspeitos de envolvimento.

Dos quatro atacantes, três morreram, bem como o suspeito Arlécio Costa, que tinha sido levado pelos militares para o quartel às primeiras horas da manhã.

No comunicado, o executivo condena "veementemente a tentativa violenta de subversão da ordem constitucional" e lamenta as mortes, endereçando condolências às famílias dos falecidos.

O Governo elogia ainda "a bravura" do tenente Marcelo da Graça, que foi feito refém e agredido com violência pelos atacantes e felicita as Forças Armadas por terem "corajosamente defendido as instoituições do Estado e garantido a ordem constitucional".

O Conselho de Ministros "orientou ainda a ministra da Justiça e o ministro das Finanças a prestarem toda a assistência necessária, caso solicitado pelos órgãos judiciais, no sentido de agilizar os trabalhos conducentes ao apuramento da verdade e a realização da justiça".

No comunicado, lê-se ainda que o Governo "lamenta as imagens chocantes que circulam nas redes sociais" e "solidariza-se com a indignação que têm estado a causar".

Ao longo do dia de sexta-feira, fotografias dos detidos com marcas de agressões e sangue e com as mãos amarradas atrás das costas, bem como já na morgue, foram amplamente divulgadas nas redes sociais.

O Governo orientou ainda os serviços hospitalares para que "os corpos sejam devidamente conservados nas morgues" até à chegada da equipa portuguesa que apoiará a investigação, composta por elementos da Polícia Judiciária e um médico legista.

O Ministério Público de São Tomé e Príncipe abriu dois processos-crime para investigar o ataque ao quartel militar ocorrido na madrugada de sexta-feira e o alegado homicídio e tortura de quatro suspeitos, disse à Lusa fonte judicial.

Ao início da manhã de sexta-feira, os militares detiveram, nas suas respetivas casas, o ex-presidente da Assembleia Nacional Delfim Neves, atualmente deputado pelo movimento Basta, e Arlécio Costa, antigo oficial do 'batalhão Búfalo' que foi condenado em 2009 por uma tentativa de golpe de Estado, alegadamente identificados pelos atacantes como mandantes.

Os assaltantes terão alegadamente atuado com a cumplicidade de militares no interior do quartel, tendo pelo menos três cabos sido detidos. No exterior, cerca de 12 homens aguardavam, em carrinhas, e alguns fugiram durante as trocas de tiros com os militares.

Os atacantes e os militares envolveram-se em confrontos, tendo o oficial de dia sido feito refém e ficado ferido com gravidade após agressões.

Ao final da tarde, dezenas de detidos foram transferidos das instalações militares para as sedes da Polícia Judiciária e Polícia Nacional, um ato acompanhado pelo escritório das Nações Unidas no país, em articulação com o Presidente da República, Carlos Vila Nova, e com o procurador-geral da República, Kelve Nobre de Carvalho.

Leia Também: Angola pede justiça às autoridades são-tomenses após ataque a quartel

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