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ONU destaca avanço para paz na Colômbia mas diz que "há muito por fazer"

A ONU assinalou hoje o sexto aniversário do acordo de paz entre o Governo colombiano e a guerrilha das FARC, elogiando o esforço de ambos, mas acrescentou haver "ainda muito por fazer" em matéria de segurança e desenvolvimento.

ONU destaca avanço para paz na Colômbia mas diz que "há muito por fazer"

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, declarou-se "muito alentado pelo compromisso do Governo colombiano de redobrar os esforços para aplicar o acordo" assinado há seis anos, como eixo da sua proposta de "Paz Total", sobre a qual assegurou que está "a gerar novos e promissores diálogos de paz", indicou o seu porta-voz, Farhan Haq, em comunicado.

Guterres elogiou também o "firme compromisso das antigas FARC-EP (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia -- Exército do Povo, organização paramilitar de inspiração comunista que utilizava táticas de guerrilha) com a consolidação da paz" e aplaudiu os "importantes avanços em direção a uma Colômbia mais pacífica e inclusiva".

Contudo, afirmou haver "ainda muito por fazer" e sublinhou a necessidade de "levar segurança e desenvolvimento às regiões que ainda sofrem com a violência e a pobreza, onde as comunidades étnicas se veem especialmente afetadas, bem como de garantir a indemnização das vítimas e promover a reconciliação".

"Há muitos desafios que falta superar, mas a Colômbia não está só nesta difícil jornada que continua a inspirar o mundo inteiro. O secretário-geral reafirma o pleno apoio das Nações Unidas", acrescenta a nota.

António Guterres recordou a sua visita à Colômbia há um ano e assegurou que "as esperanças e expectativas de uma paz sólida e duradoura só aumentaram, tanto na Colômbia como no exterior".

Reforçando as afirmações de Guterres, a organização não-governamental (ONG) Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC, na sigla em inglês), alertou hoje para o facto de, seis anos após a assinatura do acordo de paz entre o Governo e a guerrilha das FARC, ainda haver mais de 100.000 pessoas em confinamento forçado no país devido ao conflito armado.

"Imagine que pessoas armadas o obrigam a permanecer em casa, dia após dia. Os confinamentos na Colômbia significam que não se pode trabalhar, visitar a família ou enviar os filhos e filhas para a escola", disse o diretor interino do NRC na Colômbia, Juan Gabriel Wells.

A ONG, que obteve os dados sobre confinamento junto do Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), emitiu um apelo ao Governo de Bogotá e aos grupos armados para que ponham fim à prática de confinar comunidades inteiras nas suas habitações ou territórios.

"Pedimos ao Governo colombiano e aos atores armados não-estatais que acordem uma paz duradoura que beneficie as populações vulneráveis afetadas por estas desumanas restrições de mobilidade", acrescentou Wells.

O acordo de paz foi assinado a 24 de novembro de 2016 numa cerimónia no Teatro Colón, em Bogotá, e hoje, seis anos volvidos, a Colômbia continua imersa em "seis conflitos armados não-internacionais" que afetam milhões de pessoas, segundo o OCHA.

Os grupos armados, precisa o NCR num comunicado, "utilizam os confinamentos forçados como estratégia para exercer o controlo sobre comunidades e territórios isolados que amiúde são utilizados para atividades ilícitas".

"Mais de 2,6 milhões de pessoas viram os seus movimentos restringidos só durante 2022, sendo as comunidades indígenas e afro-colombianas algumas das mais afetadas", segundo os dados do OCHA citados pela ONG norueguesa.

"O confinamento e as restrições à mobilidade a que estamos a assistir na Colômbia são humilhantes e degradantes. Os grupos armados devem comprometer-se a pôr fim a esta prática sem sentido imediatamente", defendeu Wells.

Apesar de a violência persistir, o Comité da Comissão de Verdade para o Acompanhamento e Monitorização da aplicação das recomendações para que não se repita o conflito armado celebrou os seis anos da assinatura do acordo, "uma carta de navegação importante" para o fim da violência.

"Neste sexto aniversário, o Comité (...) reitera o seu compromisso com o Acordo e, para tal, em zelar pelo cumprimento das recomendações do Relatório Final da Comissão em prol dos direitos das vítimas, por uma Colômbia onde haja garantias de vida plena para todas as pessoas", declarou o organismo criado pelo acordo de paz, num comunicado.

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