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Irão. Forças de segurança receberam ordens para "confrontar" protestos

A Amnistia Internacional (AI) indicou hoje que documentos do Governo iraniano indicam que as forças de segurança receberam ordens para "confrontar severamente" os protestos antigovernamentais que eclodiram no início de setembro.

Irão. Forças de segurança receberam ordens para "confrontar" protestos
Notícias ao Minuto

16:44 - 30/09/22 por Lusa

Mundo Irão

A organização não-governamental (ONG) de direitos humanos, sediada em Londres, refere que pelo menos 52 pessoas foram mortas pelas forças de segurança desde o início dos protestos pela morte de uma mulher detida pela polícia de moralidade, com a utilização de balas reais e de bastões contra os manifestantes.

A AI também acusa as forças de segurança de terem reprimido manifestantes femininas que retiraram os seus lenços em protesto pelo tratamento às mulheres pela teocracia do Irão.

A agência noticiosa estatal IRNA referiu-se a novas violências na cidade de Zahedan, perto da fronteira com o Afeganistão e Paquistão. Homens armados abriram fogo e lançaram bombas incendiárias em direção a uma esquerda da polícia, envolvendo-se de seguida em confrontos com forças policiais.

O Irão foi abalado por uma vaga de protestos após a morte de Masha Amini, de 22 anos, em 16 de setembro, alguns dias após a sua detenção por ter infringido o estrito código sobre o uso de vestuário feminino previsto nas leis da República islâmica, em particular o uso do véu.

A sua família diz que Amini foi espancada até à morte durante a detenção. A polícia garante que morreu de ataque cardíaco e negou ter exercido violência, enquanto responsáveis oficiais indicaram que o incidente está sob investigação.

A liderança iraniana acusou entidades estrangeiras de se aproveitarem da sua morte para fomentar uma rebelião contra a República islâmica e acusou os manifestantes de "sedição", referindo que diversos membros das forças de segurança foram mortos nos confrontos.

A AI disse ter obtido uma cópia de um documento oficial onde se refere que o quartel-general das Forças Armadas ordenou aos comandantes militares em 21 de setembro que "confrontassem severamente os agitadores e contrarrevolucionários". A organização de direitos humanos diz que o uso de força letal registou uma escalada a partir dessa noite, com a morte de pelo menos 34 pessoas.

A Amnistia não indicou como obteve os documentos. As autoridades iranianas também não reagiram no imediato.

A televisão estatal iraniana referiu que pelo menos 41 manifestantes e polícias foram mortos desde o início dos protestos, em 17 de setembro. A agência noticiosa Associated Press (AP) assinalou que o balanço oficial aponta para pelo menos 14 mortos e mais de 1.500 detenções.

O Comité para a proteção de jornalistas, sediado em Nova Iorque, disse na quinta-feira que foram presos 28 repórteres.

As autoridades iranianas restringiram o acesso à internet e bloquearam o acesso ao WhatsApp e Instagram, aplicações dos 'media' sociais utilizadas pelos manifestantes para organizar e partilhar informação.

De acordo com um 'media' da oposição que atua no exterior do país, forças iranianas abriram fogo sobre manifestantes que lançavam pedras. O Iran International, uma cadeia televisiva em persa sediada em Londres, difundiu hoje diversos vídeos, que não poderem ser autenticados no imediato.

Leia Também: Homens armados atacam esquadra no sudeste do Irão

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