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Espanha. Albares diz que populismos "acabam sempre em catástrofe"

O ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha, José Manuel Albares, considerou hoje legítimo o resultado das eleições de domingo na Itália, mas alertou para o crescimento dos populismos, que "acabam sempre em catástrofe".

Espanha. Albares diz que populismos "acabam sempre em catástrofe"
Notícias ao Minuto

12:12 - 26/09/22 por Lusa

Mundo Itália

"Os italianos votaram livremente, legitimamente escolheram quem pensam que deve conduzir os próximos tempos. Como ministro dos Negócios Estrangeiros, permitam-me que seja prudente no momento de fazer avaliações", afirmou Albares, numa iniciativa da agências de notícias espanhola Europa Press, em Madrid, em que sublinhou que o Governo espanhol "tenta ter a melhor relação possível com todos os parceiros europeus".

O ministro disse que ainda será necessário esperar semanas para se saber que coligação governamental sairá das eleições legislativas italianas de domingo, em que a extrema-direita foi a força política mais votada, e reforçou que Espanha está do lado da construção europeia e defende os pilares na base da União Europeia, como "o pluralismo", "a diversidade" ou o estado de Direito, por oposição "ao modelo autoritário" que defende o regime russo e partidos presentes em diversos os países da Europa.

Albares defendeu que a Europa está num momento de mudança, o maior desde a queda do Muro de Berlim, em 1989, e que em períodos "de incerteza" como este, o populismo e os movimentos demagógicos "crescem sempre e acabam sempre da mesma maneira, em catástrofe", porque "dão respostas simples a muito curto praxo para problemas muito complexos".

"Têm sempre a mesma receita: fechemo-nos e regressemos ao passado", acrescentou o ministro, que sublinhou que estas forças políticas e movimentos também avançam em Espanha, país que tem eleições legislativas previstas para o final de 2023, além de outras regionais e municipais ao longo do próximo ano.

Questionado sobre a possibilidade de haver em Espanha um resultado similar ao de Itália, o ministro, que integra um governo de esquerda, liderado pelos socialistas, respondeu "que não tem nada a ver" e que "cada país vive situações muito diferentes".

Em Espanha, a extrema-direita, através do partido Vox, entrou pela primeira vez numa coligação de governo este ano, no Executivo regional de Castela e Leão, integrando uma aliança com o Partido Popular (PP, direita).

A presidente do partido italiano de extrema-direita Irmãos de Itália (FdI), Giorgia Meloni, declarou na última noite a vitória nas eleições legislativas de domingo, reivindicando a liderança do próximo Governo.

"Os italianos enviaram uma mensagem clara de apoio a um Governo de direita liderado" pelo FdI, disse à impresa Meloni, que deverá tornar-se a primeira mulher a liderar o executivo de Itália.

De acordo com resultados parciais, a coligação de direita e extrema-direita - liderada pelo FdI e que reúne ainda a Liga, de Matteo Salvini, e o partido conservador Força Italia, de Silvio Berlusconi - obteve cerca de 43% dos votos nas legislativas.

O bloco de centro-esquerda, liderado pelo Partido Democrático, de Enrico Letta, deverá ter 26% dos votos.

Leia Também: Matteo Salvini garante que italianos vão ter "cinco anos de estabilidade"

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