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Viktor Medvedtchuk, o "homem de Putin" na Ucrânia e trocado por Kyiv

O ucraniano Viktor Medvedtchuk, um próximo de Vladimir Putin libertado na quarta-feira numa troca de prisioneiros entre Kiev e Moscovo, era considerado o homem do Presidente russo na Ucrânia, onde defendeu os seus interesses durante mais de 20 anos.

Viktor Medvedtchuk, o "homem de Putin" na Ucrânia e trocado por Kyiv
Notícias ao Minuto

20:12 - 22/09/22 por Lusa

Mundo Viktor Medvedtchuk

Na sequência dos rumores que circulavam há meses sobre uma troca potencial de detidos e que o incluíam, o seu nome foi finalmente anunciado na quarta-feira, quando o Presidente ucraniano Volodymyr Zelensky confirmou que estava incluído nos prisioneiros entregues a Moscovo.

Essas pessoas "não merecem nem lamentos nem simpatia", disse Zelensky. Existem "os que combateram pela Ucrânia e os que traíram a Ucrânia", prosseguiu Zelensky, citado pela agência noticiosa AFP.

Na sequência da invasão militar russa de 24 de fevereiro, este antigo deputado e empresário ucraniano multimilionário de 68 anos escapou à prisão domiciliária a que estava sujeito mas acabou por ser detido em 12 de abril pelas forças de segurança ucranianas.

O anúncio da detenção de um dos políticos mais perseguidos na Ucrânia devido às suas ligações próximas com Vladimir Putin suscitou manifestações de júbilo entre muitos ucranianos.

"Foi um acontecimento simbólico, foi como capturar Goebbels", disse na ocasião à AFP Serguii Lechtchenko, conselheiro do chefe de gabinete de Zelensky, numa referência ao antigo chefe da propaganda da Alemanha nazi.

Natural da Sibéria, onde nasceu em 1954, Medvedtchuk fixou-se com a sua família na Ucrânia, então uma república soviética, na década de 1960.

Após os seus estudos em Direito, defendeu como advogado diversos dissidentes ucranianos, prossegue a AFP.

Segundo Lechtchenko, "foi o homem que recebia instruções diretas e informações de Putin para preparar o terreno para a invasão".

Medvedtchuk indicou por diversas ocasiões que a sua relação com Vladimir Putin "se desenvolveu durante 20 anos". "Não posso dizer que exploro essa relação, mas faz parte do meu arsenal político", indicou em 2021 em declarações à revista norte-americana Time.

Os dois homens conheceram-se no início dos anos 2000. Putin, antigo funcionário do KGB, acabava de ser eleito Presidente da Rússia e Medvedtchuk era na ocasião responsável pelo gabinete do Presidente ucraniano.

Neste cargo, foi acusado de ter organizado em 2004 fraudes eleitorais em favor de um candidato pró-russo e que serviram de pretexto para a designada "revolução laranja", o primeiro Maidan pró-ocidental.

No final de 2013, regista-se uma segunda rebelião em Kiev, que implica a queda do Presidente pró-russo Viktor Yanukovych, eleito em 2010, e num período em que o Partido das Regiões considerado "pró-russo", dominava a Rada (parlamento nacional).

Discreto, Medvedtchuk associa-se às conversações de paz -- na sequência da anexação da Crimeia pela Rússia e o início da rebelião separatista russófona no Donbass -- e acaba por ser eleito para o parlamento em 2019, após 15 anos sem funções políticas oficiais.

A partir de fevereiro de 2021 a sua situação começa a complicar-se, mesmo que detivesse no ano anterior a 12ª maior fortuna da Ucrânia, com 620 milhões de dólares (aproximadamente o mesmo valor em euros), segundo a revista norte-americana Forbes.

Zelensky, eleito Presidente em 2019, proíbe por decreto três das suas cadeias de televisão, consideradas "porta-vozes da propaganda russa", e as autoridades confiscam os bens da família Medvedtchuk, incluindo um oleoduto que transportava petróleo russo em direção à Europa. Em maio de 2021 é acusado de "alta traição".

A justiça acusa-o da posse de bens imobiliários na Crimeia, e de ter investido em 2014 numa refinaria russa que fornecia combustível às forças separatistas russas do Donbass.

A colocação de Medvedtchuk em prisão domiciliária suscita fortes protestos de Vladimir Putin, que denuncia uma "purga política".

"Medvedtchuk era o vice-Putin, o seu homem de confiança, os seus olhos e ouvidos na Ucrânia, que difundia mensagens de Moscovo", justificou Serguii Lechtchenko.

Para além de estar submetido a sanções norte-americanas pelo seu envolvimento na anexação da Crimeia, Medvedtchuk também foi sancionado pelo Reino Unido.

Após a sua fuga, os 'media' ucranianos indicaram ter descoberto no terreno da sua residência, perto de Kiev, uma carruagem de comboio que continua brasões russos, aparentemente uma prenda de aniversário de sua mulher, Oksana Martchenko, que fugiu para a Rússia.

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