O Paquistão continua a sofrer com as enormes cheias que deixaram debaixo de água praticamente um terço do território do país, mas os problemas continuam a amontoar-se e, esta quarta-feira, as autoridades registaram 324 mortes devido à malária, pedindo mais apoio para controlar a propagação da doença.
Centenas de milhares de pessoas vivem em condições terríveis, desalojadas devido às cheias e a viver em zonas pantanosas, algo propício a que a malária - uma doença dolorosa e potencialmente fatal sem o tratamento adequado e atempado - se desenvolva.
Estas zonas pantanosas e inundadas atraem mosquitos que propagam a doença.
As fracas condições em que vive uma grande parte da população também tem resultado em inúmeros casos de infeções de pele e de olhos, diarreia, febre tifoide e dengue.
Segundo o governo regional de Sindh, citado pela Reuters, as instalações médicas temporárias na região já trataram mais de 78 mil pessoas em apenas 24 horas - e mais de dois milhões desde 1 de julho.
Mais de 19 mil pessoas foram testadas nas últimas 24 horas e cerca de um quarto, 4.876 pessoas, testaram positivo.
Segundo a Organização das Nações Unidas no Paquistão, foram registados 44.000 casos de malária na última semana, só na província mais a sul do país, próxima do Oceano Índico (onde as cheias tiveram um impacto maior).
As autoridades paquistanesas apelam a um maior apoio internacional, um apelo que tem sido repetido pela Organização das Nações Unidas e pelo secretário-geral, António Guterres, que na semana passada descreveu a situação como a maior catástrofe provocada pelas alterações climáticas e uma "carnifica climática". O país precisa urgentemente de apoio médico, alimentar e de alojamento, com muitas organizações não-governamentais a lamentarem para a falta de atenção que a crise humanitária tem gerado no Ocidente.
Guterres salientou ainda que o Paquistão, que emite apenas 0,4% das emissões responsáveis pela crise climática, está a pagar o preço pela poluição dos países mais ricos.
O fraco estado em que se encontra o sistema de saúde do Paquistão é também um obstáculo, e famílias desalojadas são forçadas a beber água não-potável.
O ministério das Finanças do Paquistão aprovou um apoio de cerca de 40 milhões de euros para as agências de controlo de emergências conseguirem arranjar alguma alimentação para a população.
Além dos enormes estragos, destruição de produção agrícola e da crise humanitária criada, as autoridades apontam que morreram pelas cheias 1.569 pessoas, incluindo 555 crianças.
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