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ONU diz que ajuda humanitária ao Tigray está parada desde 24 de agosto

As Nações Unidas alertaram hoje que a entrega de ajuda humanitária no norte da Etiópia, particularmente na região de Tigray, está completamente interrompida desde que os combates foram retomados, em 24 de agosto.

ONU diz que ajuda humanitária ao Tigray está parada desde 24 de agosto
Notícias ao Minuto

14:44 - 08/09/22 por Lusa

Mundo Etiópia

"O reinício da violência após cinco meses de tréguas está já a afetar as vidas e os meios de subsistência das pessoas vulneráveis, incluindo a distribuição de assistência humanitária vital" nas regiões de Afar, Amhara e Tigray, escreveu o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação dos Assuntos Humanitários (OCHA) num comunicado citado pela agência francesa de notícias, a France-Presse (AFP).

"A última caravana [de ajuda humanitária] a entrar em Tigray antes da perturbação foi em 23 de agosto, constituída por 158 camiões que transportavam ajuda humanitária e equipamento para operações", afirma-se ainda no mais recente relatório do OCHA sobre a situação no norte da Etiópia.

As tréguas em vigor desde o final de março entre as forças governamentais etíopes e os independentistas do Tigray tinham permitido que as caravanas de ajuda, então paradas durante três meses, retomassem a estrada para Tigray.

Desde então, 218 camiões, incluindo 196 que transportavam fertilizantes para a plantação em curso na região, não conseguiu chegar a Mekele, a capital de Tigray, disse o escritório da ONU, não adiantando mais pormenores.

Os voos bissemanais entre Adis Abeba e Mekele do Serviço Aéreo Humanitário da ONU estão parados desde 26 de agosto e em Amhara as operações foram suspensas em algumas zonas de difícil acesso, incluindo a zona administrativa de Wag Hemra, que faz fronteira com o Tigray e tem sido palco de intensos combates nos últimos dias.

"A situação humanitária global na Etiópia continua a ser terrível", disse o OCHA, com mais de 20 milhões de pessoas dependentes da assistência humanitária, devido à guerra no norte, múltiplos conflitos localizados noutras partes do país, seca prolongada no sul e leste e inundações sazonais.

A insegurança alimentar está a agravar-se em todo o país, lê-se ainda no relatório, que aponta que as colheitas sazonais abaixo da média e as previsões de precipitação abaixo do normal para a próxima estação, combinadas com a violência e inundações, deverão agravar ainda mais a situação alimentar.

A guerra no Tigray eclodiu em 04 de novembro de 2020, quando o primeiro-ministro etíope, Abiy Ahmed, enviou o exército federal para o estado no norte do país, com a missão de retirar pela força os dirigentes locais da TPLF que vinham a desafiar a autoridade de Adis Abeba há muitos meses.

O pretexto específico da invasão foi um alegado ataque das forças estaduais a uma base militar federal no Tigray, e a operação foi inicialmente caraterizada por Adis Abeba como uma missão de polícia, que tinha como objetivo restabelecer a ordem constitucional e conduzir perante a justiça os responsáveis pela sua perturbação continuada.

O conflito na Etiópia provocou a morte de vários milhares de pessoas e fez mais de dois milhões de deslocados, deixando ainda centenas de milhares de etíopes em condições de quase fome, de acordo com a ONU.

O reacendimento dos combates esta quarta-feira marca o fim de uma trégua acordada no final de março e até agora respeitada.

As acusações entre o Governo federal e a administração tigray vinham a subir de tom nos últimos dias, com cada uma das partes a apontar à outra a intenção de retomar as hostilidades, apesar de nos últimos meses ambas reiterarem o respetivo compromisso relativamente às negociações, que ainda não começaram.

Leia Também: Etiópia. Conflitos étnicos fizeram mais 60 mortos

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