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Suu Kyi testemunha pela primeira vez sobre caso dos segredos oficiais

A ex-dirigente do governo de Myanmar (antiga Birmânia), Aung San Suu Kyi, testemunhou hoje pela primeira vez sobre o caso da alegada violação da lei dos segredos oficiais, declarando-se inocente de todas as acusações.

Suu Kyi testemunha pela primeira vez sobre caso dos segredos oficiais
Notícias ao Minuto

20:07 - 18/08/22 por Lusa

Mundo Myanmar

Suu Kyi, detida desde que os militares derrubaram o seu governo no ano passado, está a ser julgada desde a prisão onde se encontra, na capital Nay Pyi Taw, juntamente com o economista australiano Sean Turnell e três ex-membros do seu governo pela mesma acusação, que é punível com até 14 anos de prisão.

A ex-dirigente negou todas as acusações sobre este caso e declarou-se inocente, adiantou fonte judicial, citada pela agência Associated Press (AP).

Sean Turnell, economista da Universidade Macquarie, de Sidney, foi consultor de Suu Kyi.

A lei sobre os segredos de Estado data do tempo colonial e criminaliza a posse, recolha, registo, publicação ou partilha de informações do Estado que sejam "direta ou indiretamente úteis a um inimigo".

Os detalhes exatos sobre as acusações à ex-dirigente não foram divulgados, embora a televisão estatal da Myanmar, que citou fontes do governo, tenha apontado no ano passado que Turnell teve acesso a "informações financeiras secretas do Estado" e tentou fugir do país.

O acesso a mais informações está também condicionado por uma ordem de silêncio, que desde o ano passado impede os advogados de Suu Kyi de revelarem informações sobre as audiências, que são fechadas aos 'media' e ao público.

A mesma fonte judicial realçou que a ex-dirigente parecia estar bem de saúde.

Turnell testemunhou na semana passada, também negando as acusações contra ele.

A ex-dirigente birmanesa foi condenada na segunda-feira a mais seis anos de prisão, que se juntam aos 11 anos de detenção a que já estava sujeita.

Suu Kyi, Nobel da Paz e líder de facto do Governo deposto em fevereiro de 2021 pelas Forças Armadas, foi condenada por quatro acusações de corrupção relativas à atividade de uma organização não-governamental.

As autoridades acusam-na de provocar perdas para o Estado de mais de 24,2 mil milhões de kyats (11,3 milhões de euros) por ceder terrenos públicos a preços baixos à Fundação Daw Khin Kyi, que tem o nome da mãe de Suu Kyi.

Com a mais recente pena, Suu Kyi acumula condenações no total de 17 anos de prisão e a lista poderá continuar a aumentar, já que há outros processos pendentes.

Os apoiantes de Suu Kyi e analistas independentes dizem que as acusações são politicamente motivadas e são uma tentativa de desacreditá-la e legitimar a tomada de poder pelos militares, impedindo-a de regressar à política.

O golpe de Estado de fevereiro de 2021 fez mergulhar o país no caos. Quase 2.100 civis foram mortos pelas forças de segurança e 15.000 foram detidos, segundo uma organização local.

O exército tomou o poder pela força sob o pretexto de fraude nas eleições de 2020, que foram ganhas com vasta maioria pelo partido de Suu Kyi. A junta militar promete um novo escrutínio em 2023.

Leia Também: UE considera "injusta" condenação de Suu Kyi e pede libertação imediata

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