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Cão-polícia mordeu mulher desarmada no Texas durante 62 segundos

As autoridades respondiam a uma chamada, na qual o namorado de Olivia Sligh avisou que esta estava a pensar em suicidar-se. Juiz arquivou o processo e considerou que a mulher é que tentou agredir um polícia.

Cão-polícia mordeu mulher desarmada no Texas durante 62 segundos
Notícias ao Minuto

08:13 - 18/08/22 por Notícias ao Minuto

Mundo Estados Unidos

Um tribunal em Houston, no Texas, considerou na quarta-feira que não era "despropositado" que a polícia local tenha usado um cão-polícia para morder durante mais de um minuto e deter uma mulher desarmada, sabendo de antemão que esta tinha vários problemas de saúde mental.

Em 2018, as autoridades responderam a uma chamada do namorado de Olivia Sligh, de 29 anos, que pediu ajuda e contou que Sligh estava a pensar suicidar-se e tinha-se cortado. Os sentimentos e a deterioração da saúde mental da mulher, conta a NBC News, deveram-se a uma mudança de medicação para a doença bipolar de que sofre, que a tornou "mais deprimida" e "mais chateada".

O namorado, Johnathon Stapleton, contou no processo citado pela televisão norte-americana que a mulher fugiu dele para uma área de floresta, depois deste a tentar levar ao hospital. Sligh conta que estava a sentir-se numa "espiral decrescente" e a entrar numa crise de saúde mental.

A partir deste ponto, as imagens capturadas através de uma câmara corporal no equipamento do agente Tyson Sutton ajudam a contar a história. Antes de abordarem Sligh, a câmara ouve um dos agentes a afirmar que Stapleton, o namorado, contou às autoridades a mulher estivera a beber álcool.

Na intervenção policial, a polícia dá instruções a Sligh para esta não se aproximar; esta responde, afirmando que a estão a "caçar", em vez de ajudar.

Os polícias tentam deter e algemar a mulher, que responde que não fez nada. No vídeo e no processo, não foi deixado claro se os agentes perguntaram a Olivia Sligh sobre os cortes nos braços (que fizera quando tentou suicidar-se) e sobre a sua saúde mental. Os polícias não abordaram o assunto durante a intervenção e a mulher não se recorda se eles o fizeram.

Depois, Tyson Sutton aponta uma lanterna diretamente para Sligh, esta acaba por se tentar libertar do segundo agente e é nessa altura que o cão-polícia é largado. A norte-americana é ouvida a gritar várias vezes e a pedir aos agentes que chamem o animal. Os agentes não o conseguiram fazer, e o cão só largou Olivia Sligh passados 62 segundos.

A mulher acabou por ser detida e levada para a esquadra. Numa entrevista esta semana à NBC News, Olivia Sligh diz que os polícias deviam tê-la tratado "como uma pessoa com doença mental, e não como se tivesse disparado sobre alguém".

Sligh processou as forças de autoridade de Conroe, uma vila a norte de Houston, no estado do Texas. A acusação foi arquivada esta semana e o advogado da mulher, Randall Kallinen, apresentou um recurso no passado dia 11 de agosto.

Esta quarta-feira, o tribunal do Texas defendeu os agentes de autoridade, considerando que o uso de força não foi excessivo. Mais, o juiz Charles Eskridge considerou que Sligh "agrediu" Alexis Montes, o outro agente presente no local que a tentou prender, ao resistir às algemas.

"O uso do canino nestas circunstâncias não pode ser considerada irracional. Nem pode ser dito que a consequente falta de condições para remover instantaneamente o canino pode levar a que o seu uso seja despropositado", afirmou o magistrado.

Na sua decisão, Eskridge vai mais longe e afirma que as lesões e o prolongado tempo que o cão mordeu a mulher desarmada só se deram porque "Sligh recusou-se a acatar as ordens e resistiu fisicamente à detenção".

Este caso é noticiado como mais um exemplo da impreparação das autoridades norte-americanas para responder a casos de saúde mental, utilizando a força e a violência como primeira e única resposta.

Leia Também: EUA. Polícia baleia mulher que disparou contra teto em aeroporto no Texas

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