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  • 30 SETEMBRO 2022
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Cabo Verde admite candidatura à Comissão da ONU para os Direitos Humanos

O Governo cabo-verdiano está a considerar uma candidatura do país à Comissão das Nações Unidas para os Direitos Humanos, desafio lançado hoje pelos Estados Unidos, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros, Rui Figueiredo Soares.

Cabo Verde admite candidatura à Comissão da ONU para os Direitos Humanos

Em conferência de imprensa realizada hoje na Praia, em conjunto com a embaixadora dos Estados Unidos da América (EUA) nas Nações Unidas, Linda Thomas-Greenfield, que se reuniu pouco antes com o primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, Rui Figueiredo Soares revelou o desafio lançado pela diplomata norte-americana.

"O senhor primeiro-ministro recebeu a sugestão dos EUA. Fundamental nesta questão é saber que Cabo Verde é um país exemplar, nas palavras da senhora embaixadora, em termos de democracia, em termos de respeito pelos direitos do homem. E nós consideraremos com muita, muita atenção, uma possível candidatura de Cabo Verde à Comissão dos Direitos Humanos, visto que nós somos defensores intransigentes dos Direitos humanos na arena internacional", disse o chefe da diplomacia cabo-verdiana.

Linda Thomas-Greenfield terminou hoje em Cabo Verde uma visita de quatro dias a África, tendo visitado ainda o Uganda e o Gana, com as consequências da guerra na Ucrânia e a crise de insegurança alimentar na agenda. Visita que o ministro Rui Figueiredo Soares classificou como "muito oportuna" e que serviu para o primeiro-ministro cabo-verdiano apresentar "contributos" para o apoio que os EUA pretendem dar ao continente neste período, bem como sobre as necessidades do próprio arquipélago, a tentar recuperar dos impactos económicos da pandemia de covid-19, a enfrentar há vários anos uma seca severa e a sofrer uma forte crise inflacionista agravada pela necessidade de ter de importar praticamente tudo o que consome.

"Esta visita é uma prova dos laços sociais, das relações estreitas existentes entre os EUA e Cabo Verde, relações que ultrapassam os governos, que ultrapassam as conjunturas e que estão também marcadas pela extensa comunidade que nós temos nos EUA. São relações de parceria, de amizade multi seculares e que nós queremos agora realçar. E esta visita da senhora embaixadora é uma prova da excecionalidade das nossas relações", declarou Rui Figueiredo Soares.

Da parte da diplomata norte-americana, o Governo cabo-verdiano ouviu garantias de mobilização de apoio internacional para o arquipélago.

"Queremos dizer, senhora embaixadora, que estas palavras caem-nos muito bem neste momento de grandes desafios que o mundo e Cabo Verde enfrentam. As excelentes relações de parceria, de amizade e de cumplicidade existentes dos nossos países, senhora embaixadora, estas estreitas relações, permitem-nos olhar para estes tempos de incertezas com confiança no futuro", disse ainda o ministro.

Em "tempos de incerteza", o chefe da diplomacia do arquipélago sublinhou a importância de ter "amigos", como os EUA, onde reside uma importante comunidade de cabo-verdianos.

Explicou que no encontro que antecedeu a conferência de imprensa, o primeiro-ministro elencou à diplomata norte-americana os desafios e prioridades que Cabo Verde enfrenta, como na educação, na saúde, nas novas tecnologias ou na economia azul, mas também enquanto país que integra o grupo dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento, que enfrentam consequências provocadas pelas mudanças climáticas.

"O senhor primeiro-ministro disse-lhe uma coisa que ele costuma repetir: A nossa principal riqueza são os nossos ativos: a democracia, a paz, a segurança, a estabilidade. Queremos transformar isso em mais-valia", apontou.

"Nós queremos efetivamente desempenhar um papel efetivo ao nível dos Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento. As alterações climáticas atingem especialmente os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento e Cabo Verde tem condições para, ao nível de investigação científica, ao nível das propostas para os oceanos, também dar uma contribuição para que estas questões que afetam toda a comunidade sejam de facto resolvidas", concluiu Rui Figueiredo Soares.

Leia Também: "Ninguém e nenhum país está imune ao impacto devastador da guerra"

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