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Antony Blinken inicia em Joanesburgo segunda viagem oficial a África

O secretário de Estado norte-americano, Antony Blinken, iniciou hoje na África do Sul uma digressão por três países africanos, com uma visita a um museu em Joanesburgo, onde comemorou com jovens a libertação do país do domínio racista.

Antony Blinken inicia em Joanesburgo segunda viagem oficial a África

Após uma chegada madrugadora, Blinken visitou o memorial Hector Pieterson, no município de Soweto, nos arredores de Joanesburgo, que homenageia um estudante morto em 1976 quando protestava contra o regime de opressão racial da África do Sul, o 'apartheid', que terminou em 1994.

Blinken depositou uma coroa de flores no memorial ao lado da irmã de Pieterson, Antoinette Sithole. Depois, o secretário de Estado norte-americano percorreu o museu, que contém artefactos, fotografias e vídeos sobre a luta da África do Sul contra o 'apartheid'.

"A história de Hector é uma história que realmente ressoa, porque temos a nossa própria luta pela liberdade e igualdade nos Estados Unidos. A história da África do Sul é única, mas há muitos elementos comuns, que ressoam poderosamente", afirmou Antony Blinken.

Esta segunda-feira, o chefe de diplomacia norte-americana dará a conhecer a estratégia dos Estados Unidos para a África subsaariana, num discurso político na Universidade de Pretória, esperado com muita expectativa.

África foi duramente atingida pelo efeito da pandemia de covid-19 e continua agora a ser fortemente afetada pelo aumento dos preços dos alimentos e do petróleo causado pela guerra na Ucrânia.

A visita de Blinken a África é vista por muitos analistas como a resposta de Washington às visitas recentes do seu homólogo russo, Sergey Lavrov, e do Presidente francês, Emmanuel Macron, a África, num contexto de disputa do Ocidente e da Rússia pelo apoio dos países africanos a cada um dos lados contendores na guerra na Ucrânia.

Blinken e a sua homóloga sul-africana, Naledi Pandor, darão uma conferência de imprensa na segunda-feira, na qual se espera que sejam esclarecidos alguns contornos das diferenças de posicionamento dos dois países sobre a guerra na Ucrânia, até porque a África do Sul é um dos muitos países africanos que têm mantido uma posição neutra em relação à guerra e não criticaram publicamente a Rússia.

Não obstante esta expectativa de uma grande parte dos 'media' africanos, a segunda visita do secretário de Estado norte-americano ao continente africano, que começa na África do Sul e depois o levará à República Democrática do Congo (RDCongo) e ao Ruanda, aparenta ter como foco principal o ressurgimento do movimento rebelde M23 na RDCongo -- e essa é a "aposta" de Paul Nantulya, do África Center for Strategic Studies (ACSS), em declarações à Lusa.

Os Estados Unidos "estão muito preocupados com o ressurgimento do movimento rebelde M23" no leste da RDCongo e esse será o "principal foco do secretário Blinken", considerou o analista, especialista em áreas como as relações China/África, e nos processos de mediação e paz na região dos Grandes Lagos, África Oriental e África Austral.

Washington quer "exercer pressão sobre o governo ruandês, em particular, até porque Kigali tem sido apontada várias vezes, pelas Nações Unidas assim como pelo Congresso norte-americano, como estando alegadamente a apoiar o M23", acrescentou.

O ressurgimento do M23, explicou o analista, reavivou "preocupações sérias relativamente às tensões entre o Uganda e o Ruanda", dois aliados importantes de Washington, que vêm a intensificar-se há vários meses, sobretudo com a aproximação política, económica e na área da segurança entre Kinshasa e Kampala.

"O Uganda e o Ruanda tendem a combater as suas guerras dentro das fronteiras da RDCongo, em vez de através das suas fronteiras. Esta não é a primeira vez que acontece" uma guerra por procuração, corporizada agora pelo ressurgimento do M23, lembrou o analista.

Os Estados Unidos estão igualmente muito preocupados com a crescente tensão entre a administração congolesa e a missão das Nações Unidas na RDCongo, Monusco.

Blinken "irá fazer tudo para garantir que a missão prossiga o seu trabalho no terreno", usando a relação "muito boa" com a administração do Presidente da RDCongo, Felix Tshisekedi.

Em finais de julho, manifestações contra a Monusco levaram a motins em Goma, capital da província de Kivu do Norte, no nordeste da RDCongo. Pelo menos cinco pessoas foram mortas e os 'capacetes azuis' foram acusados de disparar contra manifestantes civis, o que provocou novos protestos.

Segundo a agência Associated Press, em resultado dos protestos, o governo de Kinshasa estará a considerar se deve permitir a continuação da presença de forças da ONU no país.

Leia Também: Blinken diz que China não deve manter preocupações globais "reféns"

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