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Itália: Dinâmica entre Letta e Meloni intensificou-se no último mês

A dinâmica entre a principal candidata da direita às eleições legislativas antecipadas em Itália, Giorgia Meloni, e o principal candidato da esquerda, Enrico Letta, intensificou-se drasticamente no último mês, segundo a analista italiana Teresa Coratella.

Itália: Dinâmica entre Letta e Meloni intensificou-se no último mês

"Neste momento, [o ex-primeiro-ministro italiano] Letta e Meloni têm nas sondagens uma diferença de entre 1% e 2%, e Letta já declarou que esta será uma disputa entre ele (líder do esquerdista Partido Democrático, PD) e Giorgia Meloni (dirigente da formação nacionalista Irmãos de Itália) para as legislativas de 25 de setembro no país", disse, em entrevista à Lusa, a gestora de programação do departamento de Roma do Conselho Europeu de Relações Internacionais (ECFR, sigla em inglês).

"É muito interessante constatar como, no último mês, a dinâmica entre os dois líderes realmente se alterou: têm discursado em eventos conjuntos, têm-se confrontado bastante aberta e publicamente sobre diversos temas e emergiram, mesmo enquanto tínhamos o Governo [de coligação do primeiro-ministro Mario] Draghi, como os dois verdadeiros líderes políticos que Itália atualmente tem -- dois líderes políticos muito diferentes, muito opostos, mas que reúnem, neste momento, a maioria das intenções de voto", afirmou.

Segundo Teresa Coratella, "Letta já está a destacar-se: só o facto de ter conseguido assinar um acordo eleitoral com [a ex-MNE italiana e ex-comissária europeia] Emma Bonino e [o eurodeputado] Carlo Calenda já o fortalece, porque tem mais cerca de 10% de votos para somar à sua coligação de esquerda".

Contudo, acrescentou a analista, "os números mostram a realidade: neste momento, se fôssemos votar, a coligação de direita venceria e Letta seria o líder da oposição".

Portanto, prosseguiu, "o que ele está a fazer agora é a construir já o eleitorado para ser o líder da oposição nos próximos anos".

"No entanto, como todos sabemos, os processos eleitorais têm sempre um fator de surpresa, e o melhor cenário para Letta, nesta altura, com as atuais sondagens, é que a coligação de direita obtenha a maioria, mas não uma maioria absoluta para formar Governo, o que seria uma situação muito difícil e complexa para Giorgia Meloni, Silvio Berlusconi e Matteo Salvini -- seria uma situação paradoxal, em que Enrico Letta poderia emergir como um líder político importante para resolver a situação", observou.

De acordo com Teresa Coratella, "os grupos de esquerda farão o seu melhor -- e já estão a fazer o seu melhor -- para formar uma coligação para deter o bloco italiano de direita populista, antieuropeu e pró-Rússia".

"Letta já chegou a acordo com a coligação liderada por Carlo Calenda ("Azione", Ação) e com o partido radical da ex-MNE Emma Bonino, mas ainda precisa de uma grande quantidade de votos. O problema aqui é o embate entre o PD e os dois partidos da esquerda radical: os Verdes (Europa Verde, EV, liderado por Angelo Bonelli) e a Esquerda Italiana (SI, liderado por Nicola Fratoianni)", precisou.

Ambos votaram na quinta-feira contra a adesão da Suécia e da Finlândia à NATO (Organização do Tratado do Atlântico-Norte), indicou Coratella, acrescentando que esse voto contra a adesão de dois países da UE à NATO num contexto de guerra na Europa "tornam agora impossível a sua adesão à coligação de esquerda do PD, porque o PD foi um forte apoiante do alargamento da Aliança Atlântica".

Por outro lado, estes dois pequenos partidos, juntos, representam cerca de 7% ou 8% dos votos em Itália, "o que significa que teriam sido importantes para Letta", observou a analista, que tinha previamente indicado que a coligação de esquerda conta, neste momento, segundo as sondagens, com cerca de 35% das intenções de voto.

"Esta votação contra a adesão da Suécia e da Finlândia à NATO torna impossível, neste momento, qualquer tipo de diálogo para formar uma coligação de esquerda mais abrangente", disse a analista, acrescentando que "estes dois pequenos partidos de esquerda são mais próximos do que resta do Movimento 5 Estrelas (M5S), pelo que é muito provável que tentem chegar a acordo com o antigo primeiro-ministro e líder do M5S, Giuseppe Conte".

Para Teresa Coratella, a esquerda italiana está atualmente muito dividida, entre o maior grupo, que é o PD de Letta, que "neste momento tem cerca de 23% das intenções de voto e uma agenda muito progressista, pró-europeia e pró-transatlântica"; o partido do centro - formado por Bonino e Calenda -- "que não são de esquerda, mas partilham com o PD a mesma agenda progressista, apesar de serem muito mais liberais em termos económicos, sociais e de direitos civis"; em terceiro lugar, os Verdes, "que têm muito pouca expressão" em Itália em comparação com outras forças similares no resto da Europa; e o partido da Esquerda Italiana (SI) que votou contra o alargamento da NATO e é contra o envio de mais equipamento militar para a Ucrânia, "o que constitui um grande problema".

"O único denominador comum que têm, neste momento, é deter o bloco de direita populista, antieuropeu e pró-Rússia em Itália, porque é muito importante sublinhar que, atualmente, em Itália, o bloco de direita é composto por três partidos, dois dos quais -- a Liga e Força Itália -- são muito próximos de Putin [Presidente russo] e da Rússia, o que constitui um grande problema e colocará a Itália numa posição muito difícil dentro da União Europeia", frisou a analista italiana.

Leia Também: Itália: "É provável que direita ganhe legislativas, mas terá problemas"

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