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Nuclear: Europeus apelam ao Irão para "não formular pedidos irrealistas"

Os países europeus envolvidos nas negociações sobre o programa nuclear iraniano (Reino Unido, França e Alemanha) exortaram hoje o Irão "a não formular pedidos irrealistas fora do âmbito" do acordo internacional firmado em 2015.

Nuclear: Europeus apelam ao Irão para "não formular pedidos irrealistas"
Notícias ao Minuto

18:11 - 05/08/22 por Lusa

Mundo Nuclear

O comunicado conjunto de Londres, Paris e Berlim foi emitido um dia após o reinício das conversações em Viena, quando Teerão exige a retirada de um inquérito conduzido pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA).

Este 'dossier', relacionado com vestígios de urânio enriquecido encontrados em três locais não declarados no país, está a comprometer há muito as relações entre o Irão e a organização da ONU para a área do nuclear.

Para os diplomatas europeus, esta questão deve ser resolvida no quadro de discussões distintas com a agência.

As negociações retomadas na quinta-feira em Viena "não assinalam o reinício de um novo ciclo", insistem os países europeus designados por E3.

"O texto está na mesa. Não haverá reabertura das negociações. O Irão deve agora tomar a decisão de concluir o acordo, e caso seja ainda possível", acrescentaram na declaração conjunta.

Londres, Paris e Berlim também solicitaram "insistentemente ao Irão que não formule pedidos irrealistas (...) incluindo sobre as questões em suspenso e relacionadas com as garantias da AIEA".

No entanto, Teerão continua a considerar que não devem continuar a "existir pretextos para punir o Irão", e que "num momento decisivo em Viena, a parte iraniana deve receber garantias", de acordo com um diplomata citado pela agência oficial iraniana Irna.

Na quarta-feira, e antes de partir para a capital austríaca, o principal negociador nuclear iraniano, Ali Bagheri, indicou que o objetivo consiste em "avançar nas negociações", mas acrescentou que "a responsabilidade recai naqueles que não cumpriram o acordo e não conseguiram distanciar-se do funesto legado do passado".

"Os Estados Unidos deveriam aproveitar a oportunidade fornecida com generosidade pelos membros do JCPOA; a bola está do seu lado", acrescentou Ali Bagheri, pedindo a Washington que "mostre maturidade e atue de modo responsável".

O responsável iraniano fazia referência ao Plano de Ação Global Conjunto (JCPOA), o acordo assinado em 2015, também em Viena, entre o Irão e cinco potências mundiais, atualmente moribundo.

Teerão está envolvido há mais de um ano em negociações diretas com a Alemanha, França, Reino Unido, Rússia e China, e com os Estados Unidos indiretamente, para relançar o acordo.

As negociações de Viena destinam-se a fazer regressar os Estados Unidos a este acordo -- do qual se retiraram unilateralmente em 2018 -- em particular através do levantamento das sanções contra o Irão e de garantias do pleno respeito de Teerão pelos seus compromissos.

O acordo de 2015 concedeu uma suavização das sanções ao Irão em troca de restrições ao seu programa nuclear, para garantir que Teerão nunca poderia desenvolver uma arma nuclear, o que sempre negou pretender.

No entanto, após a retirada unilateral dos Estados Unidos sob a administração do ex-Presidente Donald Trump, e a reimposição de severas sanções económicas, o Irão também começou a não respeitar os seus compromissos e iniciou uma aceleração gradual do seu enriquecimento de urânio.

A última medida do Irão ocorreu na segunda-feira passada, quando começou a injetar gás a 500 centrifugadoras avançadas, em reação às recentes sanções dos Estados Unidos contra seis companhias asiáticas por terem facilitado exportações de petróleo iraniano.

O atual Presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, afirmou após a sua tomada de posse pretender um regresso ao acordo, mas as conversações estão num impasse desde março, quando as partes envolvidas pareciam estar perto de um compromisso.

Leia Também: Rússia acusa Ucrânia de ataque a central nuclear, mas Energoatom desmente

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