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"Sei que estou certa", assegura jornalista russa, apesar das dificuldades

A ex-jornalista da televisão estatal russa tem sido ostracizada não só por russos, como também por ucranianos. Contudo, garante que não tem arrependimentos.

"Sei que estou certa", assegura jornalista russa, apesar das dificuldades

A vida de Marina Ovsyannikova, a jornalista que se manifestou contra a ‘operação militar especial’ levada a cabo pela Rússia na Ucrânia, durante um direto da televisão estatal daquele país, não tem sido fácil. Contudo, apesar das dificuldades, Marina assegura não ter arrependimentos, considerando que está do ‘lado certo da história’.

Sem emprego e a viver com o dinheiro que obteve com a venda do carro, a jornalista russa está, também, a lutar pela custódia dos filhos, enfrentando o ex-marido que, além de trabalhar no mesmo meio noticioso onde se mostrou contra a guerra, apoia a investida militar russa na Ucrânia.

“A minha mãe apoia Vladimir Putin [presidente russo], o meu filho sofreu uma lavagem cerebral por parte do pai, e estou a ser criticada pelos apoiantes da ‘operação militar especial’, que fazem troça de mim”, referiu, em declarações à Sky News.

Mas as dificuldades não se ficam por aqui. Segundo a jornalista, também “parte da oposição” troça de si, por considerar que é “uma antiga propagandista”.

“Até os ucranianos se manifestam contra mim, porque acreditam em todas as mentiras e teorias da conspiração”, confessou.

Em particular, Marina revelou que os ucranianos “acreditam que a emissão não era em direto”, e que a jornalista trabalha para o Serviço Federal de Segurança da Federação Russa.

“É completamente mentira! Como é que poderia ser uma agente? Sou uma mulher russa normal, que expressou a sua posição enquanto cidadã, e estão a tentar difamar-me de todos os lados”, acusou.

Na sua ótica, a tática do Kremlin passa por “espalhar todas estas teorias da conspiração”, para que a população em geral não acredite na sua palavra.

“É esse o objetivo – [dar a imagem de que] sou ‘falsa’ e de que não devem acreditar em mim”, esclareceu.

Pouco tempo depois do seu protesto na televisão estatal russa, a jornalista rumou até à Alemanha, onde colaborou com o jornal Die Welt. Contudo, depois de o ex-marido lhe apresentar um processo pela custódia dos dois filhos, Marina regressou à terra natal.

“A minha filha ligava-me todos os dias e perguntava, ‘Quando é que voltas, mamã? Quero ver-te’. O meu marido, que trabalha para o Kremlin, estava a virá-los contra mim. Apercebi-me de que estava a perder contacto com eles, e de que, se não regressasse, os perderia”, justificou.

Além disso, a seu ver, denunciar o conflito levado a cabo pela Rússia na Ucrânia tem mais força estando no ceio daquele país, acrescentando ter permanecido tanto tempo na televisão estatal por ter de cuidar dos dois filhos, após um divórcio doloroso.

Com a sua tomada de posição contra o próprio país, Marina esperava que os colegas seguissem os seus passos, mas não foi o caso.

“Depois de verem o que me aconteceu, a maioria apercebeu-se de que se tornaria inimigo de toda a gente, e é por isso que preferem não se manifestar ou colocar questões morais. Estão apenas sentados, sossegados, a trabalhar pelo dinheiro”, considerou.

Apesar de todas as dificuldades, a jornalista russa não se arrepende, uma vez que está ‘do lado certo da história’.

“Aguento-me, porque sei, dentro de mim, que estou certa. Sou forte e não vou desistir”, assegurou.

Recorde-se que a jornalista foi, na quinta-feira, multada em 50 mil rublos (cerca de 793 euros) por descredibilizar os militares russos, ao abrigo de uma lei promulgada após a invasão da Ucrânia, a 24 de fevereiro.

Anteriormente, Marina tinha já sido multada em 30 mil rublos (cerca de 476 euros) por ter empunhado um cartaz antiguerra durante o noticiário da noite de 14 de março, transmitido no canal estatal One. Em russo, o cartaz apelava ao fim da guerra, pedindo aos cidadãos para que não acreditassem na propaganda. Por sua vez, em inglês, a jornalista escreveu "não à guerra" e "russos contra a guerra".

Leia Também: Jornalista russa multada novamente por criticar guerra

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