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Defesa europeia deixou de ser "mal vista" e vive "momento histórico"

A antiga diretora da Agência Europeia de Defesa Claude-France Arnould considera que este sector vive uma grande evolução na Europa e que aquela agência deve assumir um papel "mais importante" no seio das instituições europeias.

Defesa europeia deixou de ser "mal vista" e vive "momento histórico"
Notícias ao Minuto

16:28 - 29/06/22 por Lusa

Mundo Defesa

"Já não se considera a defesa como algo suspeito ou mal visto. Há uma grande evolução. De forma unânime, a defesa é vista hoje como um elemento essencial da nossa paz e da nossa prosperidade", afirmou Claude-France Arnould em entrevista à agência Lusa.

Atualmente conselheira para os Assuntos Europeus do presidente do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), Claude-France Arnould foi diretora da Agência Europeia de Defesa, embaixadora da França na Bélgica e conselheira do Governo francês até se ter reformado da carreira diplomática em 2020.

A guerra na Ucrânia, segundo esta diplomata, veio mostrar a importância do sector da Defesa da União Europeia, que conta com um fundo europeu de 7,9 mil milhões de euros para investimento e pesquisa na área.

"Não tenho qualquer dúvida que a Agência Europeia de Defesa deve assumir um papel mais importante. Temos de um lado a Comissão que gere o Fundo Europeu de Defesa, entre outros, mas isso não se pode fazer sem a Agência Europeia de Defesa, especialmente no que diz respeito à gestão de programas, ou seja, tudo o que faça com que se constituam capacidades que criem uma verdadeira cultura militar comun", sublinhou.

Claude-France Arnould defende também um papel mais ativo dos ministros da Defesa no seio da União Europeia, lembrando que estes governantes já têm relevância na NATO e precisam agora de estar também no centro do projeto europeu.

Tendo em conta o acordo de alguns Estados-membros de aumentar o investimento na defesa, a diplomata francesa diz que deve ser assegurado que este é um investimento a longo prazo e não um acordo feito face "à emoção" da guerra na Ucrânia.

"É preciso também ter em mente o que significa uma Alemanha com um orçamento da defesa de 2% do PIB (Produto Interno Brito), é uma mudança histórica e radical. Para os alemães, será importante que isto seja feito num quadro europeu, porque hoje com a emoção, toda a gente aceita, incluindo a coligação entre Os Verdes e o SPD. Quando a situação voltar a normalizar, não sabemos", assinalou.

Quanto à Bússola Estratégica da UE desenvolvida pela presidência alemã no final do ano passado, Claude-France Arnould considera que a estratégia é "demasiado prudente" e que está na altura de se criar um verdadeiro Estado-Maior da União Europeia de forma a agilizar a concertação militar entre os 27.

Já a NATO, reunida em cimeira em Madrid até quinta-feira, continua a ser um elemento essencial na defesa europeia.

"É algo fundamental e complementar. De um lado, temos esta aliança que nos liga aos Estados Unidos, ao Canadá, ao Reino Unido e, do outro lado, temos uma defesa europeia que se pode apoiar noutras políticas comuns. São duas estruturas que se complementam", indicou.

Quanto ao papel do Presidente francês no conflito entre a Rússia e a Ucrânia agora que termina a presidência francesa do Conselho da União Europeia, Claude-France Arnould acredita que Emmanuel Macron manterá o contacto com o seu homólogo russo, Vladimir Putin, e com todos os atores que possam ser importantes para o restabelecimento da paz.

"Ao mesmo tempo que denuncia os atos da Rússia na Ucrânia, Emmanuel Macron mantém uma relação com Vladimir Putin, quer dizer, com a Rússia, para encontrar um caminho para a paz e para a prosperidade. E isso é muito importante, mesmo se não é o reflexo emocional de muitos Estados-membros. Nós não estamos aqui para fazer uma guerra contra a Rússia durante décadas, estamos aqui para um projeto que, quando os russos fizerem as escolhas necessárias, devolva a paz ao continente europeu", concluiu.

Leia Também: Ucrânia pode contar com apoio da NATO "o tempo que for necessário"

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