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Oceanos: Timor-Leste já sofre os efeitos da pressão sobre os mares

O antigo presidente timorense Xanana Gusmão alertou hoje em Lisboa que países menos desenvolvidos como Timor-Leste já estão a sofrer os impactos da pressão sobre os oceanos e pediu "respostas globais" perante "ameaças globais".

Oceanos: Timor-Leste já sofre os efeitos da pressão sobre os mares

"Apesar de não sermos todos igualmente responsáveis pela pressão exercida sobre a natureza, todos sofreremos com ela. As primeiras vítimas são sempre as mais frágeis e mais vulneráveis. É um facto cruel que estas são frequentemente as próprias pessoas que vivem em maior harmonia com a natureza", afirmou hoje Xanana Gusmão, representante especial para a economia azul de Timor-Leste, intervindo no segundo dia da segunda Conferência dos Oceanos das Nações Unidas, a decorrer em Lisboa.

"Os relatórios científicos fornecem dados sobre a degradação dos mares e dos oceanos. O nosso maior filtro de carbono, essencial para combater as alterações climáticas, está a ficar entupido", advertiu o também responsável da equipa de negociações do Conselho para a Delimitação das Fronteiras.

Xanana Gusmão ilustrou as dificuldades que já estão a sentir alguns países do Pacífico, Ásia, África e América Latina: "Não precisamos de olhar para os relatórios. Já estamos a sofrer com estes efeitos".

Timor-Leste é um país cada vez mais suscetível a fenómenos climáticos extremos.

"As ameaças globais exigem respostas globais. Espero que a pandemia de covid-19 tenha, pelo menos, ensinado a todos esta importante lição", sublinhou.

O antigo chefe de Estado recordou que Timor-Leste e Austrália, apoiados pela legislação internacional, em particular a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, delimitaram recentemente as fronteiras marítimas, um trabalho que decorre agora com a Indonésia.

"As áreas sem governação são áreas onde se gera a incerteza", sustentou.

Timor-Leste, recordou, está localizado no centro do Triângulo de Coral, e os seus mares albergam das maiores biodiversidades de todo o mundo, além de terem das maiores concentrações de cetáceos e serem corredor de migração de várias espécies de baleias e golfinhos.

A educação marinha é uma aposta das autoridades timorenses, garantiu.

"Queremos estabelecer um Centro de Educação Marinha, com o apoio de instituições internacionais, incluindo académicos globais. Estamos empenhados numa economia azul que proteja o oceano de uma forma equilibrada", disse.

Para tal, "a cooperação com os países vizinhos é fundamental, bem como as parcerias com outros Estados".

"Queremos trazer 'know-how', tecnologia e investimento que poderia ser um ponto de viragem para o desenvolvimento sustentável de Timor-Leste. No meu país temos jovens que, reconhecendo a importância da preservação do oceano e da biodiversidade, desejam estudar ciências marinhas. Quero acreditar que é possível realizar os sonhos destes jovens e assegurar que Timor-Leste irá, com conhecimento e convicção, implementar uma economia azul a partir do zero", acrescentou.

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