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Lula da Silva cita direito à defesa ao comentar prisão de ex-ministro

O ex-presidente brasileiro Lula da Silva questionou hoje a prisão do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro que integrou a equipa do atual Governo por supostos crimes de corrupção, alegando que "não se pode prender" se não houver provas.

Lula da Silva cita direito à defesa ao comentar prisão de ex-ministro
Notícias ao Minuto

17:15 - 23/06/22 por Lusa

Mundo Brasil

"A prisão depende de uma investigação, de provas. Você não pode prender por prender. Não. Há provas contra o cidadão? Está comprovado que ele roubou? É preciso fazer um processo e a Justiça decidir se vai parar ou não", disse Luiz Inácio Lula da Silva, em entrevista à Rádio Difusora de Manaus.

"Defendo o direito à defesa de todos. O direito à defesa é um valor monumental da democracia neste país", acrescentou o ex-Presidente brasileiro referindo-se à prisão do ex-ministro da educação numa investigação de corrupção sobre alegada atribuição de verbas públicas intermediada por dois pastores evangélicos junto a prefeitos em troca de suborno.

Lula da Silva frisou não saber se Milton Ribeiro foi investigado, se há autorização da Justiça para o deter, mas considerou que este "foi um mau ministro da Educação".

A Polícia Federal brasileira realizou na quarta-feira uma operação para investigar a alegada prática de tráfico de influência e corrupção para a atribuição de recursos públicos no Ministério da Educação num caso que envolve um ex-ministro e dois pastores evangélicos.

Milton Ribeiro foi detido na sua casa na cidade de Santos, no litoral do estado de São Paulo.

A Polícia Federal brasileira investiga um suposto favorecimento na atribuição de verbas públicas para prefeituras que aceitassem pagar subornos em barras de ouro e até mesmo a confeção de Bíblias para pastores evangélicos que agiam alegadamente com a concordância de Minton Ribeiro.

O caso tornou-se um escândalo no Brasil após a revelação de um áudio em que o ex-ministro, que também é pastor evangélico presbiteriano, assegurou que o orçamento público da pasta que comandava teria entre as suas prioridades promover projetos de igrejas evangélicas ligados ao Governo.

"A minha prioridade é atender, em primeiro lugar, os municípios que mais precisam e, em segundo lugar, atender a todos aqueles que são amigos do pastor Gilmar", disse Milton Ribeiro, segundo a gravação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo.

O ex-ministro da Educação afirmou, na gravação, que a prioridade ao pastor "foi um pedido especial feito pelo Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro", mas depois acabaria por desmentir esta declaração.

O Presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, reagiu hoje frisando que Milton Ribeiro responde pelos seus atos.

"O caso do Milton [Ribeiro], pelo que eu estou sabendo, é aquela questão que ele estaria com a conversa meio informal demais com algumas pessoas de confiança dele. Houve denúncia que ele teria buscado prefeitos, gente dele, para negociar, para liberar recurso, isto e aquilo", disse o Presidente brasileiro, numa entrevista á rádio Itatiaia.

"O que acontece? Nós afastámos ele. Se tem prisão, é a Polícia Federal, é sinal de que a Polícia Federal está agindo. Ele responda pelos atos dele", acrescentou Bolsonaro.

A declaração do chefe de Estado brasileiro indica uma mudança de postura já que em março, quando o escândalo sobre o suposto esquema de corrupção envolvendo pastores evangélicos e o ex-ministro foi denunciado pelos 'media' locais, afirmou confiar em Ribeiro.

"Coloco a minha cara no fogo pelo Milton [Ribeiro], o que estão fazendo com ele é covardia", afirmou o Presidente durante a transmissão ao vivo que faz semanalmente nas redes sociais, quando o escândalo foi revelado em março.

A prisão de Ribeiro faz parte da operação Acesso Pago da Polícia Federal realizada com base em documentos, depoimentos e relatório final da investigação preliminar sumária da Controladoria-Geral da União, reunidos em inquérito policial, e foram identificados possíveis indícios de prática criminosa para a atribuição das verbas públicas.

Segundo a autoridade policial, a investigação iniciou-se com a autorização do Supremo Tribunal Federal, devido ao foro privilegiado de um dos investigados.

As ordens judiciais foram emitidas pela 15.ª Vara Federal Criminal da Secção Judiciária do Distrito Federal.

Leia Também: Tribunal eleitoral do Brasil lança sistema para combater notícias falsas

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