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ONU alerta para aumento de militarização contra migrantes no México

Organizações civis e o relator especial da ONU para os Direitos Humanos dos Migrantes, Felipe González, alertaram hoje para o "aumento exponencial" da militarização contra migrantes em trânsito através do México em direção aos Estados Unidos.

ONU alerta para aumento de militarização contra migrantes no México
Notícias ao Minuto

21:28 - 24/05/22 por Lusa

Mundo México

Enquanto em 2019 havia 8.715 elementos das Forças Armadas em tarefas de migração nas fronteiras norte e sul, o número cresceu para mais do triplo em abril de 2022, para mais de 28.500, indica o relatório 'Under the Boot' da Fundação para a Justiça e o Estado de Direito Democrático (FJEDD), uma organização não governamental mexicana.

Embora o fenómeno não seja novo, "tem havido um aumento exponencial desta militarização, especialmente após a assinatura de acordos de migração que foram promovidos pelos Estados Unidos e aceites, em particular, pelo México", disse Ana Lorena Delgadillo, diretora da FJEDD, ao apresentar a investigação.

No documento acusa-se o Governo mexicano de se ter tornado um "muro militar contra a migração", enquanto os Estados Unidos "externalizaram a sua fronteira".

"Estive no México em numerosas ocasiões, vi como a militarização das políticas públicas em geral tem vindo a expandir-se, e especialmente, de uma forma particularmente séria, no contexto das políticas e práticas migratórias", comentou o relator da ONU.

O relatório documentou mais de 354.300 migrantes apresentados ao Instituto Nacional das Migrações (INM) entre janeiro de 2021 e março deste ano.

Destes, 149.168 foram detidos em Chiapas, Tabasco e Oaxaca, estados limítrofes ou próximos da Guatemala, o que representa 42% do total.

Felipe González Morales afirmou que "a detenção de migrantes deveria ser um último recurso", e denunciou "uma distorção entre os direitos humanos e a segurança".

O responsável saudou a recente decisão do Supremo Tribunal de Justiça da Nação (SCJN), que na semana passada declarou inconstitucionais os controlos migratórios que ameaçam o livre trânsito.

E reconheceu a reforma sobre migração de 2020 que proíbe o INM de deter menores nas estações de migração.

"A verdade é que este é um abuso que vários governos mexicanos vinham fazendo há muito tempo, mas na realidade há um enorme número de crianças detidas por razões migratórias no México. Então (o abuso) não terminou", disse.

O relatório também diz que na última década mais de 70.000 migrantes foram vítimas de tráfico e sequestro no México, com base no Relatório Especial sobre a Situação de Tráfico e Rapto de Migrantes no México 2011-2020, da Comissão Nacional de Direitos Humanos (CNDH).

Embora outras estimativas da investigação apontem para cerca de 20.000 migrantes raptados por ano.

A maioria dos casos ocorre em Chiapas e Tabasco, na fronteira com a Guatemala, em Nuevo León e Tamaulipas, na fronteira com o Texas; e em Veracruz, o estado do Golfo do México que liga o sul com o norte do país.

As vítimas vêm principalmente da Guatemala, El Salvador, Honduras, Nicarágua e Cuba.

O caso mexicano "é particularmente urgente" devido aos "níveis de violência muito graves enfrentados por migrantes em situação irregular", argumentou o relator da ONU.

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