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Guerrilha colombiana ELN decreta cessar-fogo para 1.ª volta das eleições

A guerrilha colombiana Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciou hoje um "cessar-fogo" de dez dias para a primeira volta das eleições presidenciais de 29 de maio na Colômbia.

Guerrilha colombiana ELN decreta cessar-fogo para 1.ª volta das eleições

"Decretamos um cessar-fogo unilateral de 25 de maio, às 00:00, até 03 de junho à meia-noite", declarou o ELN em comunicado, precisando contudo que a guerrilha de extrema-esquerda "se reserva o direito de se defender em caso de ataque".

O grupo de guerrilha de inspiração guevarista fundado em 1964, na esteira da revolução cubana, e o último constituído como tal ainda ativo na Colômbia pretende assim contribuir para "uma melhor atmosfera no dia das eleições".

As presidenciais são, para o ELN, uma oportunidade para encontrar "uma verdadeira solução política" na Colômbia e para "abordar as questões prioritárias para o país, como a corrupção, o assassínio dos dirigentes sociais e o tráfico de droga".

O ministro da Defesa colombiano rejeitou de imediato este anúncio, acusando o grupo rebelde de "se posicionar para futuras negociações" com o próximo Governo.

"A segurança aqui é garantida pelas forças de segurança", sublinhou Diego Molano, durante um evento público.

Os colombianos votam a 29 de maio para escolher o sucessor do Presidente conservador Iván Duque, que não pode recandidatar-se.

O senador e opositor de esquerda Gustavo Petro domina largamente as sondagens, à frente do representante da direita, Federico Gutierrez.

Segundo as mesmas sondagens, Petro, de 62 anos e ele mesmo ex-membro da guerrilha de extrema-esquerda M-19 (que depôs as armas no início da década de 1990), vencerá a primeira volta, mas sem beneficiar de apoio suficiente para evitar uma segunda volta contra Gutierrez a 19 de junho.

A esquerda nunca liderou o país, e a vitória do dirigente desta coligação do "Pacto Histórico" (que apresenta como candidata à vice-presidência uma feminista afro-colombiana) constituiria um sismo político.

Petro já anunciou a intenção de realizar negociações "para um processo de paz integral com todos os actores da violência", dando a entender que abrirá um diálogo político com o ELN e os dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (FARC) que rejeitam o acordo de paz assinado em 2016 com essa guerrilha marxista.

O seu adversário Gutierrez, por seu lado, propõe uma luta frontal contra o ELN e, tal como o Governo cessante, condiciona qualquer negociação ao fim das ações violentas do grupo, incluindo os ataques às forças de segurança.

O Presidente Duque, que terminará o seu mandato em agosto, interrompeu as negociações de paz com o ELN em 2019, após um atentado mortífero a uma escola militar de Bogotá reivindicado pelo grupo.

O ELN tem atualmente cerca de 2.500 combatentes, com bastiões nas regiões de fronteira com a Venezuela, e dispõe igualmente de redes de apoio nas áreas urbanas.

A guerrilha já tinha decretado um cessar-fogo de alguns dias por ocasião das legislativas, em meados de março, de que a esquerda saiu vitoriosa.

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