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82 anos depois, corpos de republicanos mortos por Franco voltam a casa

O regime do general Franco continua a dividir opiniões em Espanha, apesar do fascismo ter matado dezenas de milhares de pessoas.

82 anos depois, corpos de republicanos mortos por Franco voltam a casa
Notícias ao Minuto

10:44 - 16/05/22 por Notícias ao Minuto

Mundo Espanha

As reparações históricas do regime franquista em Espanha continuaram no sábado, no cemitério de Paterna, em Valência, onde os corpos de 21 republicanos mortos pelas forças fascistas do general Franco permaneceram 82 anos. Agora, voltaram finalmente para as suas famílias.

Os restos mortais de 21 dos mais de 3.400 republicanos executados por Franco após o final da Guerra Civil Espanhola - um conflito sangrento entre republicanos e fascistas, na antecâmara da Segunda Guerra Mundial, que fez cerca de meio milhão de mortos - foram entregues em caixas às famílias. Segundo a reportagem do jornal britânico The Guardian, cerimónia foi levada a cabo pela Associação da Campa 111, onde os corpos permaneceram ao longo das décadas de debate sobre o que fazer com as consequências do franquismo.

Os corpos foram identificados utilizando tecnologia de identificação de ADN, mas nem todos os restos encontrados puderam ser identificados.

Debaixo do sol abrasador da Andaluzia, várias famílias, entrevistadas pelo jornal de The Guardian, contaram a história dos seus pais, avós e, em alguns raros casos, dos maridos mortos na guerra. Muitos entraram no cemitério com as cores da república espanhola, derrotada e sem fulgor nos tempos que correm.

A campa 111, uma vala comum com cerca de sete metros de profundidade, foi preenchida com 150 corpos entre março e maio de 1940, cerca de um ano depois da vitória dos nacionalistas na Guerra Civil.

Apesar da violência do fascismo em Espanha, a morte de Franco e a queda do regime sem qualquer revolução continua a ser um tópico de grande discussão e divergência do país. Enquanto que, nos últimos anos, o governo socialista do PSOE tem trabalhado para restaurar a "dívida da democracia", aprovando em 2007 uma medida legislativa para iniciar reparações históricas, o Partido Popular (PP) opôs-se à proposta, alegando que discutir o fascismo só serve para manter a ferida aberta - isto depois dos governos do PP terem promovido uma política de amnistia e esquecimento sobre os crimes de guerra do antigo general.

O pico da discussão surgiu em 2019, 80 anos depois da guerra civil, quando foi realizada a transladação dos restos mortais de Franco do Vale de los Caídos, um mausoléu gigante a 40 quilómetros de Madrid, erguido pelo ditador com o objetivo de celebrar os nacionalistas mortos em combate.

O monumento também será requalificado, de modo a exibir uma contextualização histórica sobre o fascismo, à semelhança do que outros países fizeram com as marcas históricas dos seus regimes (como a Alemanha aprovou recentemente uma recontextualização histórica do parque no qual se realizaram os comícios nazis, em Nuremberga).

Apesar das divergências políticas no pano de fundo, muitas famílias contaram que a exumação dos corpos republicanos é uma conclusão justa para as feridas que a guerra provocou. Agarrada à caixa com os restos mortais do avô que nunca conheceu, María, neta do republicano José María Balaguer Gómez, disse em lágrimas que o avô "chegou para o levarmos a casa". "Ele vem para casa agora", afirmou.

Leia Também: Governo de Madrid condena pela primeira vez bombardeamento de Guernica

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