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Azovstal. Por que é que a siderúrgica se tornou o bastião da resistência?

Do objetivo de controlar Mariupol, que possui potencial estratégico, às características do complexo industrial que ajuda os ucranianos a resistir.

Azovstal. Por que é que a siderúrgica se tornou o bastião da resistência?

Desde o início da invasão russa à Ucrânia que a cidade portuária de Mariupol era um dos alvos do presidente russo, Vladimir Putin. Isto por causa do potencial estratégico da cidade costeira do mar de Azov. 

Mariupol 'oferece' uma ponte terrestre entre a Crimeia - anexada pela Rússia em 2014 - e a região separatista do Donbass, especificamente Donetsk e Lugansk, os principais objetivos das tropas russas

No dia 24 de março, as tropas de Putin conseguiram entrar na cidade que tinha 430 mil habitantes. Desde então, os ataques não têm parado e a Rússia foi ganhando mais e mais controlo sobre a cidade. 

Neste momento, tal como referiu o ministro dos  Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba, "a cidade já não existe". Ficou reduzida a escombros e destruição. 

No dia 10 de abril, os russos conseguiram dividir Mariupol em dois polos e isolar as tropas ucranianas que se recusavam a render-se. Os lados disputados pelos ucranianos e russos naquela cidade reduziram-se à zona junto do principal porto a sudoeste de Mariupol e a zona industrial da siderúrgica de Azovstal. 

Na passada quarta-feira um desses lados caiu nas mãos dos russos. No dia 13 de abril, a Rússia anunciava que havia tomado o principal porto da cidade de Mariupol.

Uma semana depois, e com três ultimatos lançados, resta o último reduto das tropas ucranianas que recusam rendição. A siderúrgica de Azovstal tornou-se o principal bastião da resistência ucraniana naquela cidade portuária

É o bastião da resistência ucraniana e também o mais atacado pela artilharia pesada russa. Escondidos nos túneis e na rede de navios bombardeados estão os últimos militares ucranianos e cerca de mil civis, entre mulheres e crianças, como também relatou esta quarta-feira num apelo desesperado por "extração" o comandante ucraniano Serguiy Volyna.

A luta pelo controlo da cidade vê-se por dias, ou mesmo por horas, e, se conseguirem, esta será uma vitória significativa para os russos. 

Porquê a dificuldade em vencer os ucranianos em Azovstal?

Além da já muito falada resiliência dos militares ucranianos, é preciso perceber as características da siderúrgica Azovstal, uma das maiores da Europa. Entenda-se que este é um complexo industrial no sudoeste da cidade, próximo ao principal porto, que se estende ao longo de 11 quilómetros quadrados numa complexa rede de navios, ferrovias e túneis subterrâneos

Nestes túneis, escondem-se as tropas e civis ucranianos que lutam e sobrevivem aos bombardeamentos incessantes. 

O analista militar Oleh Zhdanov referiu à agência Reuters que este é um "espaço tão grande com tantos prédios que os russos simplesmente não conseguirão encontrar [as tropas ucranianas]". A instalação tornou-se o foco de ataques contínuos de artilharia pesada nos últimos dias.

Azovstal destruída novamente durante a guerra

Esta não é a primeira vez que a siderúrgica de Azovstal é destruída durante uma guerra. 

A indústria foi construída pela União Soviética no início da década de 1930, e viu a sua atividade interrompida durante a ocupação nazi na Segunda Guerra Mundial.

Foi reconstruída e viria a tornar-se uma fábrica capaz de produzir mais de seis milhões de toneladas de aço por ano. Hoje está novamente no centro de uma guerra e o rasto da guerra é bem visível.

Quantos se refugiam nos túneis da siderúrgica 

Apesar de haver a indicação de se tratarem de cerca de mil pessoas, entre militares e civis, o certo é que a quantificação não é assim tão linear. Isto porque a comunicação com o exterior é bastante residual após o cerco russo naquela área

Esta manhã, o comandante ucraniano deste último bastião mencionava cerca de 500 feridos e centenas de civis ali refugiados, entre mulheres e crianças, sem especificar um número exato.  

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Dmytro Kuleba afirma que "o que resta das tropas ucranianas e um grande grupo de civis estão basicamente cercados por forças russas" em Azovstal.

"Eles continuam a luta, mas pelo modo como os russos estão a agir, parece que decidiram arrasar a cidade a qualquer custo”, acrescentou ainda Kuleba. 

O mais recente ultimato

O Ministério da Defesa russo lançou um ultimato às forças ucranianas esta manhã. Este último ultimato acontece depois de ontem, terça-feira, nenhum soldado ucraniano se ter rendido perante as tropas russas.

Os ucranianos, mesmo reduzidos àquela siderúrgica, resistem e persistem na ambição de lutar pelo seu país. 

Leia Também: Atraso em tomar central de Azovstal "indica falhanço contínuo" dos russos

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