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África deve perceber que tem de mobilizar recursos próprios para a paz

O Instituto de Estudos de Segurança alerta que a crise na Ucrânia deve lembrar a União Africana da necessidade de mobilizar os seus próprios recursos para garantir e paz e a segurança, em vez de depender da ajuda internacional.

África deve perceber que tem de mobilizar recursos próprios para a paz
Notícias ao Minuto

13:00 - 16/03/22 por Lusa

Mundo Investigador

"Os recentes desenvolvimentos na Europa de Leste e o apoio da UE à Ucrânia são lembretes de que a África deve desenvolver uma estratégia para mobilizar os seus próprios recursos para a paz e a segurança em vez de depender de apoio internacional", escreve o investigador Aïssatou Kanté num artigo hoje publicado na página eletrónica do Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla em inglês), sediado na África do Sul.

No artigo, Kanté analisa as expetativas em torno da presidência rotativa da União Africana (UA), que desde fevereiro é assumida pelo Senegal.

O analista recorda que as prioridades definidas pelo Presidente do Senegal, Macky Sall, para a sua presidência da UA, que tem a duração de um ano, são financiar o desenvolvimento de África, recuperar as economias africanas pós-covid-19 e melhorar a estabilidade do continente e a luta contra o terrorismo.

Recordando que o Senegal assume a presidência da UA num momento em que África enfrenta grandes desafios políticos e de segurança, em particular na África ocidental e no Sahel, o investigador alerta que os objetivos de Sall são ambiciosos e questiona se serão exequíveis num prazo de apenas um ano.

"Dada a curta duração da presidência da UA, os objetivos ao nível da paz e segurança devem ser realistas e mensuráveis se o Senegal quiser ter impacto a médio e longo prazo", escreve o autor.

Um fator que Kanté considera uma vantagem é o facto de o Senegal ocupar simultaneamente a posição de presidente da UA e membro do Conselho de Paz e Segurança (PSC, na sigla em inglês) da organização.

O Senegal é visto como um país estável numa região problemática, nunca sofreu um golpe de Estado e teve duas transições de poder pacíficas; e embora esteja exposto ao extremismo violento devido à sua localização no extremo do Sahel, nunca sofreu um ataque terrorista no seu solo, lembra o autor.

Apesar de ser um país pequeno com uma economia pequena, o Senegal tornou-se um ator influente, nomeadamente através da sua participação em operações de manutenção da paz da ONU e das organizações regionais, tendo mesmo ajudado a resolver crises em países vizinhos como a Guiné-Bissau ou a Gâmbia.

Recordando que a credibilidade da UA e da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) foi afetada por posições inconsistentes sobre os golpes militares no Mali, Guiné-Conacri e no Burkina Faso, Kanté defende que o Senegal deveria seguir no PSC os passos da CEDEAO, que iniciou uma revisão do protocolo adicional sobre democracia e boa governação, com vista a garantir uma resposta mais consistente a mudanças de Governo anticonstitucionais.

O Senegal, que tem condenado firmemente os recentes golpes de Estado, deve também dar o exemplo, lembra o investigador do ISS, sublinhando que, a dois anos do final do seu mandato como Presidente, ainda há suspeitas de que Sall poderá candidatar-se a um terceiro mandato.

O artigo lembra que Sall quer também abordar o financiamento das medidas antiterrorismo, o que levanta a questão da incapacidade dos países africanos mobilizarem os seus próprios recursos.

Na recente cimeira entre a União Europeia e a União Africana em Bruxelas, Sall propôs que o Mecanismo Europeu de Apoio à Paz seja reorientado para a África ocidental e o Sahel, mas a guerra na Ucrânia vem lembrar que os países africanos devem tornar-se menos dependentes dos fundos europeus, diz Kanté.

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