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Procuradoria-Geral do Ruanda pediu prisão perpétua para Paul Rusesabagina

A Procuradoria-Geral do Ruanda pediu hoje novamente prisão perpétua para Paul Rusesabagina, ex-gerente do estabelecimento que inspirou o filme "Hotel Ruanda" (2004) sobre o genocídio de 1994, depois de a justiça ter aceitado na semana passada o seu recurso.

Procuradoria-Geral do Ruanda pediu prisão perpétua para Paul Rusesabagina
Notícias ao Minuto

22:11 - 24/01/22 por Lusa

Mundo Ruanda

As audiências começaram hoje, apesar de Rusesabagina e família se recusarem a estar presentes.

De acordo com o Ministério Público, o Tribunal Superior de Kigali para Crimes Internacionais e Transfronteiriços não levou em conta a gravidade dos crimes cometidos por Rusesabagina quando o sentenciou a 25 anos de prisão por crimes relacionados com terrorismo no passado dia 20 de setembro.

Após um julgamento de sete meses, cuja imparcialidade foi questionada pela família e organizações de direitos humanos, os juízes consideraram Rusesabagina culpado de vários crimes relacionados com terrorismo por liderar a Frente de Libertação Nacional (FLN), braço armado do seu partido Movimento de Ruanda para a Mudança Democrática (MRCD, na sigla em francês), mas não impuseram a pena de prisão perpétua qie tinha sido pedida pelo Ministério Público.

Rusesabagina, de 67 anos, cidadão belga com residência permanente nos EUA, está detido no Ruanda desde agosto de 2020, depois de o avião que viajava e que o deveria levar até ao vizinho Burundi ter pousado em Kigali.

Embora o governo ruandês afirme que a sua detenção foi legal, a família e os advogados denunciaram que o ex-gerente foi "sequestrado, desaparecido e submetido a uma extradição extraordinária do Dubai para o Ruanda.

"Embora tenha admitido alguns crimes durante as fases iniciais do caso (...), posteriormente retratou-se dessas declarações, recusou-se a reconhecer a jurisdição do tribunal e boicotou o julgamento antes de explicar o seu papel nos crimes", disse hoje ao Tribunal de Recurso a procuradora principal do processo, Angelique Habyarimana.

O Ministério Público argumentou ainda que o facto de ser a primeira vez que cometeu um crime não deve ser atenuante dada a gravidade das acusações.

"Rusesabagina não está arrependido. As suas ações causaram a morte e ferimentos de pessoas e a perda de bens, entre outros", acrescentou Angelique.

Paul Rusesabagina é conhecido mundialmente por ter sido o gerente do Thousand Hills Hotel em Kigali, onde abrigou mais de mil tutsis e hutus moderados para os salvar da morte durante o genocídio de 1994, eventos que inspiraram o filme "Hotel Ruanda" (2004).

Mais tarde, o ex-gerente tornou-se um opositor fortemente crítico do Presidente Paul Kagame, que governa ferreamente o Ruanda desde 2000.

Num vídeo colocado na rede social de partilha YouTube, em 2018, Rusesabagina disse que "o povo de Ruanda não pode mais suportar a crueldade e os maus-tratos" e pediu "apoio incondicional" à FLN para "conseguir uma mudança no país", que reconheceu não ter sido ainda possível "com meios políticos".

Em julho de 2018, cinco meses antes da publicação do vídeo, o porta-voz do MRCD, Callixte Nsabimana Sankara, anunciou que o seu partido já havia começado a lutar para derrubar o Presidente Kagame e atribuiu a morte de dois civis no sudoeste de Ruanda à FLN.

O genocídio de 1994 começou em 07 de abril, após o assassínio no dia anterior dos Presidentes do Ruanda, Juvénal Habyarimana e do Burundi, Cyprien Ntaryamira, ambos da etnia hutu, quando o avião em que viajavam foi abatido sobre Kigali.

A violência que então irrompeu provocou a morte de cerca de 800.000 tutsis e hutus moderados em cerca de cem dias, um dos piores massacres étnicos da história recente.

Leia Também: Tribunal aceita sentença mais severa para herói do filme 'Hotel Ruanda'

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