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Timor. Candidato a maior partido rejeita ser subserviente a Xanana Gusmão

O ex-primeiro-ministro e candidato à liderança da Fretilin, maior partido timorense, Rui Araújo, rejeitou hoje que seja demasiado próximo ou "subserviente" ao líder histórico Xanana Gusmão, argumentando que isso ficou provado durante a sua governação.

Timor. Candidato a maior partido rejeita ser subserviente a Xanana Gusmão
Notícias ao Minuto

08:01 - 23/01/22 por Lusa

Mundo Rui Araújo

"Num país democrático e multipartidário é preciso abrir-se as portas para o diálogo e não manter a distância. Pelo facto de uma pessoa falar com outra, não significa que se é subserviente a ela", afirmou, em entrevista à Lusa.

"Num contexto político pluripartidário é preciso sempre haver diálogo. Se fosse subserviente, a governação do VI Governo não daria o resultado em que a Fretilin ganharia as eleições de 2017", considerou.

Rui Araújo foi primeiro-ministro no VI Governo, onde a força maioritária é o Congresso Nacional da Reconstrução Timorense (CNRT) e ao qual a Frente Revolucionária do Timor-Leste Independente (Fretilin) 'emprestou' vários membros.

Em 2017, a Fretilin acabou por vencer as legislativas.

"Acho que as pessoas viram que nesse período de dois anos e meio, que alguma coisa se fez diferente do que tinha sido a governação puramente CNRT", sustentou.

Já sobre a participação do seu partido no atual Governo, liderado por Taur Matan Ruak, do Partido Libertação Popular (PLP), Araújo aponta maiores problemas para a Fretilin, especialmente entre os seus apoiantes.

"Penso que houve questões positivas, mas também negativas. Para a imagem do partido talvez tenha sido mais negativo, mas para a população, o facto da Fretilin ter entrado, estabilizou a governação e não houve mais crise", argumentou.

"Porém a governação também teve os seus problemas, a prestação de serviços não retomou o ritmo, a dinâmica interna não produziu o que se esperava, talvez por se balcanizar um pouco o Governo e devido as diferenças internas que empatam a implementação", sublinhou.

A estabilidade política ganhou "ajudando a acalmar os ânimos", mas no que toca à imagem partidária "há essa impressão de que alguns parceiros da coligação beneficiaram-se mais que outros" e, para a população, "a impressão que a Fretilin entrou, mas também não conseguiu fazer muita coisa".

Araújo referiu-se igualmente ao estilo de gestão do primeiro-ministro -- com quem trabalhou mais de perto quando estava na Sala de Situação do Centro Integrado de Gestão de Crise (CIGC), de resposta à covid-19 -- que disse ser "mais do 'laisser faire', deixar as pessoas trabalhar e depois exigir responsabilidade".

"O general Taur Matan Ruak tem um estilo de dar confiança, responsabilidade, deixar trabalhar e depois exige contas. Isso, naturalmente, tem pontos positivos e negativos. Penso que devia ter dado mais a cara", considerou.

O ex-governante traçou ainda comparações entre os aspetos da legalidade e da legitimidade que têm levado o CNRT, na oposição, a questionar quer a atual mesa do Parlamento, quer o Governo.

Questionado sobre se considera legítimos a atual mesa do parlamento -- liderada pela Fretilin -- e o Governo, Rui Araújo diz que, "legalmente sim, porque o Tribunal de Recurso se pronunciou" confirmando não haver ilegalidade.

"Mas há aqui duas coisas, legalidade e legitimidade. O Tribunal de Recurso pronunciou-se pela legalidade, mas politicamente há pessoas que dizem que não há legitimidade", disse.

Recordou que o CNRT, PLP e KHUNTO se apresentaram ao eleitorado com uma aliança pré-eleitoral, e isso foi isso que foi votado com maioria absoluta, e que o facto de a coligação se ter dissolvido e terem sido formadas novas parcerias, implica que "a partir daí a legitimidade eleitoral ficou perdida".

Sobre o facto de o atual chefe de Estado ter deixado na gaveta durante um longo período um pedido de demissão do atual chefe do Governo, nessa altura da crise política, Araújo disse que são precisos mais dados para avaliar adequadamente.

Ainda que isso "politicamente não seja um bom precedente para o país", considera que "um dos fatores que determinou a decisão do Presidente foi a questão da pandemia".

"Realmente o país estaria com enormes dificuldades de enfrentar a pandemia num período em que não houvesse Governo. Nessa perspetivam talvez o Presidente tenha razão", afirmou.

Leia Também: Ciclo eleitoral em Timor-Leste deve servir para "mudança de rumo"

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