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Ativista pró-independência de Hong Kong Edward Leung libertado da prisão

O ativista Edward Leung, rosto do movimento independentista em Hong Kong, foi hoje libertado da prisão após quase quatro anos detido.

Ativista pró-independência de Hong Kong Edward Leung libertado da prisão

"O departamento de serviços prisionais organizou a libertação do prisioneiro em questão da prisão Shek Pik, nas primeiras horas da manhã" de quarta-feira, referiu o organismo em comunicado.

Edward Leung, de 30 anos, estava a conquistar espaço no cenário político quando o movimento de independência de Hong Kong ganhou força em 2016.

A sua ascensão acabou interrompida em 2018, quando foi condenado a seis anos de prisão na sequência de um violento confronto com a polícia local em 2016, onde os manifestantes atiraram tijolos e queimaram pneus nas ruas.

O ativista foi transferido para uma prisão de alta segurança, mas o seu 'slogan' 'Libertem Hong Kong: a revolução dos nossos tempos' ganhou importância quando manifestantes pró-democracia o adotaram em 2019, utilizando-o como grito de guerra contra o governo chinês.

O 'slogan', presente durante os enormes e por vezes violentos comícios pró-democracia, foi proibido no ano passado, na sequência da Lei de Segurança Nacional imposta em junho de 2020 por Pequim a Hong Kong em resposta aos grandes protestos de 2019, muitas vezes violentos, nos quais se exigiram reformas democráticas.

Leung revelou, por volta das 05:45 de quarta-feira (21:45 de terça-feira em Lisboa), que já estava junto da sua família.

"Após quatro anos, quero aproveitar este precioso tempo que tenho com a minha família e voltar a ter uma vida normal. Gostaria de expressar a minha sincera gratidão pelo apoio", referiu.

O ativista acrescentou que pretende "ficar longe dos holofotes e parar de utilizar as redes sociais", estando legalmente obrigado a fazê-lo, uma vez que continua sob vigilância.

Semanas antes, fontes do governo revelaram à comunicação social local que o ativista iria "provavelmente ser vigiado", visto as autoridades estarem cientes da sua influência nos movimentos de independência, que agora está muito enfraquecido.

Edward Leung, que nasceu em 1991 em Wuhan, na China Central, foi um dos primeiros a exigir a independência de Hong Kong, antiga colónia britânica que passou para a soberania chinesa em 1997.

Leung permaneceu em silêncio durante a maior parte de sua detenção, exceto em julho de 2019, quando, após a escalada de violência, escreveu uma carta a apelar aos manifestantes para que não agissem cegados pelo ódio.

Atualmente, ao abrigo da Lei de Segurança Nacional que entrou em vigor em 2020, pedir a independência de Hong Kong é punível com prisão, entre os dez anos e prisão perpétua.

Tal como acontece com Macau desde 1999, para Hong Kong foi acordado a partir de 1997 um período de 50 anos com elevado grau de autonomia, a nível executivo, legislativo e judicial, com o Governo central chinês a ser responsável pelas relações externas e defesa, ao abrigo do princípio "um país, dois sistemas".

Leia Também: Ações de operadores de jogo de Macau animam após proposta de lei

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