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Pragmático e discreto Scholz sucede à pragmática e discreta Merkel

Muitas vezes comparado a um robô pelo tom monocórdico e um discurso repetitivo, o social-democrata Olaf Scholz vai tornar-se na quarta-feira o nono chanceler da Alemanha, sucedendo à democrata-cristã Angela Merkel.

Pragmático e discreto Scholz sucede à pragmática e discreta Merkel

Vice-chanceler e ministro das Finanças no Governo cessante, Olaf Scholz, 63 anos, é considerado um político pragmático e introvertido, que só fala o estritamente necessário, como Merkel, que deixa o poder aos 67 anos.

Quando o Partido Social Democrata da Alemanha (SPD, na sigla em alemão) o nomeou candidato a chanceler um ano antes das eleições, era tido como o mais improvável sucessor da primeira mulher que liderou a Alemanha.

Scholz tinha perdido a eleição para presidente do SPD para a ala esquerda em 2019 e era visto no partido como um centrista próximo de Merkel, que não se recandidatou após 16 anos no poder.

Mas a sua gestão da crise provocada pela pandemia de covid-19 foi considerada decisiva para a vitória nas eleições de 26 de setembro deste ano.

Com apenas 15% nas sondagens na primavera, o SPD apostou na experiência governamental do também antigo presidente da câmara de Hamburgo (2011-2018) para o projetar como um estadista seguro e confiável.

Scholz prometeu continuidade aos alemães, que lhe terão reconhecido o pragmatismo perante a pandemia, apesar do seu princípio de que "só se dá o que se tem".

Como ministro das Finanças, não hesitou em romper com o dogma orçamental para criar, em março de 2020, uma "bazuca" de 750 mil milhões de euros para ajudar empresas e trabalhadores afetados pelas medidas anticovid-19.

"Esta é a bazuca que é necessária para fazer o trabalho", disse na altura e defendeu que as medidas incluíssem "também investimentos" para garantir que a Alemanha pudesse sair da crise "mais forte do que antes".

Scholz prometeu que o país vai recuperar "em menos de 10 anos" e, apesar de ter sido referido em dois escândalos financeiros durante a campanha, os alemães deram ao SPD 25,7% dos votos em setembro.

Foi uma vitória curta, face aos 24,1% da União Democrata-Cristã (CDU), mas suficiente para Scholz liderar o "governo do semáforo", assim chamado devido às cores dos três partidos da coligação: SPD (vermelha), Verdes e Liberais (amarela).

E ao fim de 16 anos, a chanceler que cresceu na antiga Alemanha Oriental vai ser substituída por um chanceler nascido e criado na Alemanha Ocidental, e ficar a escassos nove dias do recorde de 16 anos e 26 dias de Helmut Khol no poder.

Descrito pela revista Der Spiegel como "a encarnação do tédio na política", segundo a agência France-Presse, Scholz chegou a chanceler após 46 anos na política.

Nascido na cidade de Osnabrück (noroeste) em 14 de junho de 1958, juntou-se ao movimento juvenil do SPD, o Jusos, em 1975.

Tinha cabelo comprido, usava camisolas de lã e participava em numerosas manifestações de paz, assinalou a AFP.

Licenciado em Direito, abriu um escritório de advogados especializado em direito do trabalho em 1985, em Hamburgo.

Após a reunificação alemã em 1990, defendeu trabalhadores em casos relacionados com a privatização de antigas empresas da República Democrática Alemã (RDA).

A sua carreira política teve o impulso decisivo quando o social-democrata Gerhard Schröder se tornou chanceler.

Eleito deputado ao Parlamento Federal em 1998, Scholz tornou-se secretário-geral do SPD em 2002, e teve de explicar quase todos os dias as reformas liberais impopulares de Schröder.

Foi nessa altura que o semanário Die Zeit lhe chamou "Scholzomat", juntando o seu apelido à palavra "automat" (máquina), por usar um discurso tecnocrático repetitivo, recordou a rádio pública alemã Deutsche Welle (DW).

A alcunha não agradou a Scholz, mas em agosto, segundo a AFP, admitiu que a descrição "não era totalmente falsa".

"Fizeram-me sempre as mesmas perguntas e dei sempre as mesmas respostas", explicou.

Segundo a DW, Scholz foi um socialista radical nos anos 80, advogando a "superação da economia capitalista", mas a gestão do seu próprio escritório de advogados deu-lhe experiência no mundo empresarial.

Já com Angela Merkel a liderar o governo CDU-SPD, foi ministro do Trabalho entre 2007 e 2009 e destacou-se com medidas laborais na crise financeira de 2008.

Em 2018, após a presidência da câmara de Hamburgo, sucedeu ao democrata-cristão Wolfgang Schäuble como ministro das Finanças.

Apesar de criticado no seio do SPD, Scholz manteve uma política financeira inflexível, só quebrada com a gestão da crise da pandemia.

Europeísta convicto, Olaf Scholz será o nono chanceler alemão desde 1949, quando Konrad Adenauer assumiu a chefia do governo da então Alemanha Ocidental, depois de a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) ter destruído e dividido o país.

Desde então, a Alemanha teve cinco chanceleres da CDU, sendo Olaf Scholz o quarto do SPD.

Olaf Scholz é casado com Britta Ernst, também do SPD e ministra da Educação da região de Brandeburgo. O casal não tem filhos.

Leia Também: Futuro chanceler alemão pede à Rússia que respeite integridade da Ucrânia

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