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Iémen: 60 organizações pedem à ONU que investigue crimes de guerra

Um grupo de mais de 60 organizações de direitos humanos pediu hoje à ONU que crie um mecanismo imparcial que investigue e documente as violações e atropelos cometidos na guerra civil no Iémen.

Iémen: 60 organizações pedem à ONU que investigue crimes de guerra
Notícias ao Minuto

23:59 - 02/12/21 por Lusa

Mundo Iémen

Numa apresentação do projeto, apresentada por videoconferência nas Nações Unidas, os signatários, entre eles a Amnistia Internacional (AI) e a Human Rights Watch (HRW), sublinham que o mecanismo vai "ajudar a terminar com a impunidade" que só permite "os maiores abusos e crimes".

As mais de seis dezenas de organizações, muitas deles de expressão internacional e algumas árabes, consideram que, de todos os organismos e agências da ONU, é a Assembleia Geral das Nações Unidas quem deve encarregar-se dessa tarefa "face à politização do Conselho de Segurança".

Os signatários criticaram as "pressões" e as "campanhas agressivas de lóbi" por parte sobretudo da Arábia saudita e dos Emirados Árabes Unidos (EAU), que lideram a coligação militar que combate os rebeldes huthis) para bloquear qualquer prestação de contas ou responsabilização no conflito no Iémen.

No seu entender, são estas pressões que explicam o fracasso da missão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, que suspendeu em outubro o trabalho do "grupo de especialistas" que investigava a guerra no país árabe há quatro anos.

As organizações deixaram claro que não atribuem os crimes a apenas uma das partes beligerantes, mas a ambas, que causaram "dezenas de milhar de mortes" entre a população civil em bombardeamentos de escolas, mercados ou áreas densamente povoadas.

"Os Estados membros [da ONU] devem criar um novo mecanismo de investigação que demonstre ao povo do Iémen que as Nações Unidas não olham para o outro lado diante do seu sofrimento e que apoia a responsabilização internacional por crimes e abusos", lê-se no comunicado conjunto. 

A ideia de ser a Assembleia Geral a criar o mecanismo não é nova, uma vez que já foi concretizado algo semelhante nos casos da Síria (2016) e de Myanmar (antiga Birmânia, em 2018).

Os signatários lembraram que, nestes dois países, entre os 193 votos da Assembleia Geral, foi alcançado um consenso nesse sentido.

Além disso, as mais de seis dezenas de organizações consideram que a criação de um mecanismo semelhante pode enviar uma mensagem para outras zonas da mesma região, como no caso, citado, da Líbia, onde os direitos humanos também estão a ser violados e onde também existem múltiplas interferências externas. 

Embora esse mecanismo possa ter um caráter multilateral, os signatários também se manifestaram a favor de uma atuação bilateral e denunciaram, em particular, a contínua da venda de armas pela França ou pelo Reino Unido aos países envolvidos na guerra do Iémen que acabam a ter como alvo a população civil iemenita.

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