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Líder do PAIGC critica comunidade internacional na Guiné-Bissau

O líder do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, criticou hoje a "letargia" da comunidade internacional, que está "aflita" para recuperar a capacidade de intervenção que "perdeu" na Guiné-Bissau.

Líder do PAIGC critica comunidade internacional na Guiné-Bissau

"Estamos na presença de um comodismo, de uma letargia absoluta, não nos incomodem, estamos a descansar, estamos cansados da Guiné-Bissau", afirmou Domingos Simões Pereira, quando questionado sobre a apatia da comunidade internacional em relação à situação no país.

Em declarações aos jornalistas, na sede do partido em Bissau, Domingos Simões Pereira explicou que, até 2019, o PAIGC "empenhou-se profundamente em mobilizar as parcerias internacionais no sentido da reposição da legalidade na Guiné-Bissau" e que "contribuiu muito para que a comunidade internacional cumprisse com a sua missão".

"Quando assistimos a tudo o que aconteceu em 2019 e aos sinais que vinham da comunidade internacional eu, perante o meu partido, pedi que deixássemos a comunidade internacional descansar", afirmou.

O dirigente referia-se ao período que se seguiu à realização das eleições presidenciais, quando interpôs um recurso de contencioso eleitoral junto do Supremo Tribunal de Justiça por alegadas irregularidades, depois de ter sido dado como derrotado pela Comissão Nacional de Eleições.

O atual chefe de Estado, Umaro Sissoco Embaló, acabou por assumir o poder sem esperar pela decisão do supremo e foi reconhecido pela comunidade internacional.

Na sequência da sua tomada de posse, demitiu o Governo liderado pelo PAIGC, partido vencedor das legislativas.

"Hoje vimos a comunidade internacional aflita para tentar recuperar uma capacidade de intervenção que de facto perdeu. Já na altura chamávamos a atenção de que não é competência, nem vocação da comunidade internacional estar a substituir os órgãos de soberania nacional", afirmou.

Segundo Domingos Simões Pereira, a comunidade internacional "atingiu pontos de incongruência que lhe retirou a capacidade de intervenção".

"Quando a CEDEAO [Comunidade dos Económica dos Estados da África Ocidental] diz que faz uso do princípio de subsidiariedade para invocar a si a competência de dirimir problemas que estejam a ocorrer na Gâmbia, Guiné-Bissau ou na Guiné-Conacri, as pessoas perdem de vista que os atores principais dessa tentativa de dirimir não são entidades neutras", salientou.

Para o líder do PAIGC, aquelas "entidades", que partilham fronteiras terrestres com esses países, "têm interesses diretos e, portanto, têm uma agenda", sublinhando que hoje a CEDEAO pede ao PAIGC para criar condições para que possam "voltar ao jogo", mas que este recusa-se porque o partido não vai "perturbar o descanso da comunidade internacional".

"Como é que a opinião pública avalia, que por exemplo, alguém que esteve na Guiné-Bissau como representante do secretário-geral das Nações Unidas, assim que se dá um golpe de Estado na Guiné-Conacri vira ministro da Saúde do atual Governo da Guiné-Conacri. O mesmo exemplo está a acontecer no Mali e em outros países. É a comunidade internacional a perder a face", disse.

Portanto, segundo Domingos Simões Pereira, quando o representante do secretário-geral das Nações Unidas lhe vem dizer que o PAIGC precisa de estar alinhado com determinados princípios, responde-lhe que o partido sempre esteve alinhado com as aspirações do povo e sugere-lhe que faça essas recomendações "aos amigos".

"Vá dizer isso ao seu amigo que está na Guiné Conacri, aos seus amigos no Mali, vá dizer isso a todos os países, incluindo na Guiné-Bissau, ao seu amigo que está no Palácio da República, que não respeita a ordem constitucional da Guiné-Bissau", disse.

O anterior representante do secretário-geral das Nações Unidas e coordenador residente das agências da ONU na Guiné-Bissau, Mamadou Diallo, abandonou recentemente o cargo para ocupar funções de ministro de Saúde no Governo de transição na Guiné-Conacri, na sequência do golpe de Estado, que depôs o Presidente Alpha Condé.

"O perigo não é luta política que o PAIGC está a fazer, porque todos já perceberam que o PAIGC utiliza escrupulosamente os mecanismos democráticos que estão ao seu serviço. Agora aquele que tem de chegar ao poder, exercer o poder a qualquer preço, e ainda tem o aplauso da comunidade internacional, leva aos resultados que nós temos hoje", afirmou Domingos Simões Pereira.

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