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Afeganistão: Representantes do povo hazara demonstram apoio aos talibãs

Mais de mil afegãos da comunidade hazara demonstraram hoje apoio ao novo governo talibã do autoproclamado Emirado Islâmico referindo-se ao "fim do período de sombras" dos anteriores governos apoiados pelo Ocidente.

Afeganistão: Representantes do povo hazara demonstram apoio aos talibãs

O povo hazara (minoria xiita) tem sido vítima, ao longo de séculos, de perseguições por parte de radicais sunitas, como são os talibãs ou os 'jihadistas' do grupo Estado Islâmico.

Pela primeira vez no Afeganistão, vários representantes da comunidade hazara reuniram-se em Cabul com os dirigentes talibãs para demonstrar "solidariedade" ao regime no poder desde o passado dia 15 de agosto. 

Jafar Mahdawi, dirigente da comunidade hazara, organizou o encontro, tendo declarado que o governo anterior do presidente Ashraf Ghani marcou um dos "pontos mais sombrios" da História do país.

"O Afeganistão não era independente e as embaixadas estrangeiras decidiam o que o Governo tinha de fazer", afirmou.

"Graças a Deus, acabou esse período sombrio", frisou. 

De acordo com Mahdawi, desde que os talibãs tomaram o poder em agosto, os novos dirigentes "puseram fim à guerra, à corrupção e à insegurança".

Apelou ainda assim aos talibãs que formem um Governo mais inclusivo e que reabram as escolas femininas.

"Nas próximas semanas e meses esperamos ver a formação de um Governo inclusivo e composto pelo conjunto da população", disse Jafar Mahdawi.

O atual Executivo, que se apresenta como Governo de transição é composto, quase exclusivamente, por dirigentes de origem pasthun, tendo excluído as mulheres. 

O porta-vos talibã, Zabihullah Mujadi, disse que a prioridade do Emirado Islâmico é a "reconstrução" do país.

Os hazaras, cerca de 38 milhões de afegãos que representam entre 10% a 20% da população, foram ao longo dos tempos alvo de perseguições por parte dos sunitas.

De acordo com a organização Human Rigths Watch, radicais islâmicos levaram a cabo vários massacres nas regiões ocupadas pelos hazaras, nomeadamente em Mazar-i-Sharif, em 1989, tendo sido assassinadas na altura cerca de duas mil pessoas.

Vários atentados bombistas, ao longo dos últimos anos têm tido como alvo os hazaras que residem em Cabul.

Este mês, dois ataques do grupo Estado Islâmico atingiram um bairro da capital do país maioritariamente habitado por hazaras.

Em agosto, após a tomada do poder pelos talibãs, uma estátua de um líder hazara foi dinamitada em Bamiyan, cidade de maioria xiita. O atentado que destruiu a estátua não foi reivindicado.

Leia Também: Talibãs consideram "propaganda" ações dos EUA contra o terrorismo

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