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Manifestante de 15 anos baleado na cabeça morre após dois meses em coma

Um manifestante de 15 anos morreu após ter passado mais de dois meses em coma depois de ter sido baleado na cabeça quando participava numa série de protestos antigovernamentais na capital da Tailândia, em Banguecoque.

Manifestante de 15 anos baleado na cabeça morre após dois meses em coma

O jovem foi declarado morto na quinta-feira e hoje começaram a ser realizados os ritos fúnebres.

Warit Somnoi foi baleado a 16 de agosto, durante uma manifestação que se tornou violenta perto de uma esquadra da polícia no bairro de Din Daeng, no norte da metrópole.

O político da oposição tailandesa Rangsiman Roma, que manifestou apoio aos protestos lançados em 2020 por jovens estudantes universitários exigindo reformas democráticas no país, informou sobre a morte do adolescente na rede social Twitter.

"Porque é que aqueles que lutam por uma vida melhor para a sua geração têm de morrer? Que tipo de regime destrói tão cruelmente o futuro da nação?", escreveu o político tailandês, que durante o golpe de Estado de 2014 também liderou protestos estudantis contra o regime militar.

A polícia, que negou ter usado munições reais para dispersar a multidão e admitiu ter usado gás lacrimogéneo e balas de borracha, abriu uma investigação sobre o incidente.

As autoridades detiveram um homem e acusaram-no de homicídio, mas este nega as acusações, enquanto os manifestantes divulgam fotografias e vídeos registados no dia do incidente, nos quais se vê um homem desconhecido a disparar nas sombras da esquadra da polícia.

Depois de serem interrompidos pela pandemia da covid-19, os organizadores dos protestos pretendem reiniciar o movimento pró-democracia com novas manifestações a partir deste domingo.

Os protestos começaram em julho de 2020 para exigir a demissão do primeiro-ministro tailandês e a elaboração de uma nova constituição - a atual foi escrita pela extinta junta militar (2014-2019) - com o objectivo de reduzir o poder dos militares.

No entanto, a exigência mais audaciosa é a reforma da monarquia com o objetivo de minimizar a sua influência política e a alteração da lei 'lesa majestad', que impõe penas entre três e 15 anos de prisão para quem insulte ou denigra membros da Casa Real.

Cerca de 150 pessoas, incluindo os principais líderes estudantis, foram acusadas pelas autoridades de violarem esta lei, devido às suas atividades durante os protestos, segundo a organização não-governamental Thai Lawyers for Human Rights (Advogados Tailandeses pelos Direitos Humanos).

Leia Também: Cerca de um milhão de pessoas atingidas pelas inundações na Tailândia

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