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EUA "profundamente preocupados" com expansão de colonatos na Cisjordânia

Os Estados Unidos da América (EUA) manifestaram-se terça-feira "profundamente preocupados" com o anúncio de Israel da abertura de um concurso para construir mais de 1.000 habitações nos colonatos judaicos na Cisjordânia ocupada.

EUA "profundamente preocupados" com expansão de colonatos na Cisjordânia

"Estamos profundamente preocupados com o plano do governo israelita", disse aos jornalistas o porta-voz da diplomacia do EUA, Ned Price.

Ned Price adiantou que os norte-americanos se opõem "fortemente à expansão dos colonatos", considerando ser "totalmente contrário aos esforços para diminuir as tensões e garantir a tranquilidade, e que mina as perspetivas de uma solução de dois estados", o israelita e o palestiniano.

"Também acreditamos que qualquer esforço para legalizar retroativamente os colonatos ilegais é inaceitável", prosseguiu, garantindo que as autoridades norte-americanas comunicaram essas posições "diretamente" aos seus homólogos israelitas.

Esta é uma das posições mais firmes assumidas pelos EUA em relação à colonização israelita nos territórios palestinianos desde a tomada de posse de Joe Biden.

O seu antecessor, Donald Trump, adotou uma posição mais compreensiva, tendo o seu secretário de Estado, Mike Pompeo, chegado a modificar a doutrina norte-americana em 2019, dizendo, na ocasião, que Washington não considerava os colonatos contrários ao direito internacional, decisão celebrada por Israel, mas denunciada pelos palestinianos.

Na segunda-feira, o Ministério dos Negócios Estrangeiros da Autoridade Palestiniana acusou Israel de "passar as linhas vermelhas" na Cisjordânia ocupada, após o anúncio no domingo de um concurso para construir mais de 1.300 habitações nos colonatos.

"O governo israelita continua a sua guerra aberta contra a presença palestiniana em Jerusalém e nas áreas classificadas como 'C' (sob controlo militar israelita na Cisjordânia)", declarou o ministério, em relação ao que designou de "uma expansão pública dos colonatos".

O Ministério da Habitação israelita anunciou no domingo um concurso para a construção de "1.335 unidades habitacionais" em sete colonatos na "Judeia-Samaria (nome dado por Israel à Cisjordânia)".

O enviado especial das Nações Unidas para o processo de paz no Médio Oriente, Tor Wennesland, também já criticou a decisão, a primeira do tipo desde que tomou posse o novo governo de coligação israelita, em junho, segundo a agência noticiosa espanhola EFE.

"Reitero que todos os colonatos são ilegais perante a lei internacional, permanecem um obstáculo substancial à paz e devem ser suspensos imediatamente", declarou Wennesland.

Mostrando as divergências notórias entre os membros da coligação que governa o Estado hebreu, mesmo o ministro da Saúde israelita expressou o seu desacordo.

O ministro da Saúde, Nitzan Horowitz, do partido de esquerda Meretz, disse hoje numa entrevista à rádio pública israelita Kan que a sua fação "não concordará explicitamente com ações que prejudiquem as hipóteses de se chegar a uma solução" com os palestinianos e pediu ao seu governo para se abster de as realizar.

"Compreendo que este governo, na atual situação, não assine um acordo de paz com os palestinianos, mas ainda assim devemos evitar ações que piorem a situação", disse.

No entanto, Horowitz indicou confiar que apesar das suas diferenças a coligação permanecerá unida e conseguirá aprovar um orçamento antes do prazo final de 14 de novembro.

Leia Também: Palestinianos acusam Israel de "passar as linhas vermelhas" com colonatos

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