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Crise/Energia: Nuclear é consensual em França mas ainda persistem dúvidas

O Presidente francês, Emmanuel Macron, anunciou a 12 de outubro a aposta nos minirreatores nucleares, provocando uma forte reação política nos candidatos às presidenciais de 2022, numa altura em que a França repensa o seu perfil energético.

Crise/Energia: Nuclear é consensual em França mas ainda persistem dúvidas

Atualmente, cerca de 80% da energia gaulesa é produzida através de centrais nucleares, com cerca de 20% a virem de fontes renováveis, com apenas quatro regiões a produzirem a esmagadora maioria da energia nuclear consumida no país. 

Um relatório recente da Rede de Transporte Elétrica (RTE) francesa mostra que o nuclear é indispensável para que o país atinja os resultados de redução das emissões de carbono até 2030 e 2050, apontando que o investimento se deve fazer no sentido de renovar os reatores nucleares. No entanto, os técnicos deste órgão avisam que deve também haver um importante investimento nas energias renováveis.

Até 2030, tal como o resto da União Europeia, a França quer diminuir em 40% as emissões de carbono, propondo-se ainda a reduzir em 30% a utilização de energia fóssil. Até 2050, o país quer diminuir o consumo energético para metade face aos índices de 2012 e cortar também em 50% os resíduos energéticos.

Os minirreatores, conhecidos como 'small modular reactors' ou SMR, são uma tecnologia que ainda não existe em França, e que está a ser testada há pouco tempo em países como China ou Rússia, e que gera energia nuclear de forma mais limitada, mas mais segura. São também reconhecidos como uma boa opção para alimentar locais mais isolados do território.

Com um projeto do género em desenvolvimento desde 2017, os analistas estimam que o primeiro SMR esteja ativo e devidamente testado até 2035.

Esta escolha do Presidente mostra que, ao contrário do que se chegou a supor, a França não tenciona abandonar esta fonte energética nos próximos 50 anos, entrando assim nas grandes linhas de investimento pós-pandemia, levando já o gigante francês da energia, EDF, a acelerar projetos de construção deste tipo de reatores.

A escolha anunciada por Emmanuel Macron, cujo mandato termina já em abril de 2022, não agrada a todos os candidatos prontos a disputar o seu lugar no Eliseu. Os opositores mais aguerridos são os ecologistas, com o candidato à Presidência, Yannick Jadot, a propor que a França poderia sair do nuclear "de forma responsável" daqui a 20 anos. Já a extrema-esquerda de Jean-Luc Melanchon, aponta a saída de forma total até 2050.

À direita, o nuclear é consensual, com candidatos como Valérie Pecresse, Michael Barnier e Xavier Bertrand a prometerem a construção de novas centrais nucleares e não deixar baixar a produção de energia nuclear abaixo dos 50%. 

Para a extrema-direita, o nuclear é uma questão de soberania nacional, já que disso depende a independência energética da França face a países como a Rússia.

Com posições mais ou menos radicais, a energia entrou de forma inesperada na campanha eleitoral, seja devido aos aumentos dos preços dos combustíveis fôsseis, à aposta nas energias renováveis ou o futuro da energia nuclear em França.

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