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Sudão: Lider militar dissolve Conselho Soberano e anuncia emergência

O presidente do Conselho Soberano, o mais alto órgão de poder no processo de transição do Sudão, general Abdelfatah al Burhan, dissolveu hoje o Governo e o próprio conselho, horas depois de os militares prenderem o primeiro-ministro.

Sudão: Lider militar dissolve Conselho Soberano e anuncia emergência

Al-Burhan leu uma declaração na televisão estatal sudanesa, na qual anunciou a instauração de um estado de emergência em todo o país entre um conjunto de nove pontos, que incluíram a dissolução do Governo e do Conselho Soberano, assim como a suspensão de vários artigos do documento constitucional que lançou as bases para a transição após o derrube de Omar al-Bashir em abril de 2019.

"Afirmamos que as Forças Armadas continuam no caminho da transição democrática até à transferência da liderança do país para um governo civil eleito, que realize as aspirações" do povo sudanês, afirmou o general.

O gabinete do primeiro-ministro sudanês, Abdullah Hamdok, detido esta manhã por militares e que se encontra em parte incerta, apelou aos sudaneses, numa declaração emitida pelo Ministério da Informação, para "se manifestarem" contra o "golpe de Estado".

"Exortamos o povo sudanês a protestar através de todos os meios pacíficos possíveis", afirmou o gabinete de Hamdok.

O Governo sudanês culpou os militares pelas eventuais consequências do golpe de Estado, que os militares estão a tentar levar por diante, e confirmou que tanto o primeiro-ministro como a sua esposa se encontram em paradeiro desconhecido.

O Ministério da Informação sudanês anunciou através das redes sociais que as forças armadas estão a disparar contra manifestantes "que rejeitaram o golpe militar" em Cartum.

O exército disparou "munições reais" contra manifestantes que se concentraram no exterior do quartel-general do exército no centro de Cartum, que se encontra protegido com blocos de betão e soldados há vários dias, afirmou o ministério através do Facebook.

O Comité Central de Médicos, que tem vindo a contabilizar o número de vítimas decorrentes de protestos desde a revolução, fez saber que até agora 12 pessoas foram feridas nos eventos de hoje, sem dar mais pormenores.

"A liderança militar do Estado sudanês tem plena responsabilidade pela vida e segurança do primeiro-ministro Abdullah Hamdok e da sua família. Estes líderes são responsáveis pelas consequências criminais, legais e políticas das decisões unilaterais que tomaram", afirmou o gabinete do primeiro-ministro numa declaração.

O texto acrescenta que o primeiro-ministro e a sua esposa foram "raptados na segunda-feira de manhã cedo da sua residência de Cartum e levados para um local desconhecido por uma unidade militar".

Abdel-Fattah al-Burhan prometeu durante o seu discurso que os militares continuarão a perseguir os objetivos estabelecidos no documento constitucional, que apela à realização de eleições: "Estamos todos a trabalhar até às eleições gerais de julho de 2023", disse.

Até lá, acrescentou o general, será constituído "um governo de figuras nacionais independentes (...) com uma representação justa de todos os sudaneses".

Al-Burhan justificou os acontecimentos desta manhã com o "conflito" e "divisão" entre as componentes dos órgãos dirigentes transitórios, considerando que os mesmos representavam "um perigo iminente que ameaçava a segurança da pátria e a sua unidade".

Por esta razão, esclareceu, foi necessário "corrigir a trajetória da revolução".

O general aludiu ainda às tensões que se arrastam há um mês entre civis e militares, na sequência de uma tentativa de golpe de Estado, após a qual o primeiro-ministro Hamdok apelou à "reforma dos órgãos militares e de segurança", o que enfureceu o poder fardado.

Abdel-Fattah al-Burhan afirmou também que continua vinculado aos acordos internacionais assinados pelo seu país, um dos quatro Estados árabes que decidiram recentemente reconhecer Israel.

Num momento em que as ruas de Cartum se encheram de pessoas que denunciam a existência de um "golpe de Estado" em curso, Al-Burhan parece com esta declaração dar um sinal à comunidade internacional, que multiplicou os apelos para que os dirigentes militares e civis sudaneses regressem ao "processo de transição".

A União Europeia manifestou-se hoje "muito preocupada" com as notícias de um golpe de Estado no Sudão e apelou à "rápida libertação" dos dirigentes civis do Governo, assim como ao restabelecimento "urgente" das comunicações no país.

Numa primeira reação, o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell -- que se encontra no Ruanda -, recorreu à sua conta na rede social Twitter para dar conta da "maior preocupação com os eventos em curso no Sudão" e apelar "a todas as partes e parceiros regionais para que voltem a colocar o processo de transição no bom caminho".

Também a União Africana (UA) apelou à "retoma imediata" do diálogo no Sudão, pela voz do presidente do órgão executivo da organização, Moussa Faki Mahamat, que disse ter tomado "conhecimento com profunda consternação dos graves desenvolvimentos" no país. Faki Mahamat apelou ainda à "retoma imediata das consultas entre civis e militares" que partilham o poder desde 2019.

Estados Unidos, Alemanha e França, entre outros países, condenaram igualmente o golpe de Estado e apelaram à libertação dos dirigentes civis sudaneses.

As notícias da tomada do poder pelos militares "vão contra a declaração constitucional" e as "aspirações democráticas do povo do Sudão", disse o emissário norte-americano para o Corno de África, Jeffrey Feltman. A Alemanha também "condenou claramente" a tentativa de golpe no Sudão, que "deve parar imediatamente" para permitir a continuação de uma "transição política pacífica para a democracia", numa declaração assinada pelo ministro dos Negócios Estrangeiros alemão.

Também o Presidente francês, Emmanuel Macron, condenou, "nos termos mais fortes", a tentativa de golpe militar e apelou à libertação imediata de Abdullah Hamdok assim como dos líderes civis do país, expressando o apoio de Paris ao governo de transição sudanês.

[Notícia atualizada às 14h12]

Leia Também: Sudão: Forças armadas estão a disparar contra manifestantes

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