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Clima: Compromissos atuais dos Estados são "caminho para o desastre"

Os compromissos atuais dos Estados para o clima "são um caminho para o desastre", disse na quinta-feira o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres.

Clima: Compromissos atuais dos Estados são "caminho para o desastre"
Notícias ao Minuto

06:30 - 22/10/21 por Lusa

Mundo Guterres

O dirigente da ONU fez a declaração durante uma conferência de imprensa com membros do grupo de meios de comunicação de vários países, designado 'Covering Climate Now', focado na cobertura da rutura climática.

Guterres, em particular, demonstrou inquietação com o pouco tempo que falta para impedir um "fracasso" na 26.ª Conferência das Partes (COP26) da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (UNFCCC), que começa dentro de nove dias, em Glasgow, na Escócia.

Segundo a última avaliação da ONU, os compromissos de redução das emissões de gases com efeito de estufa apresentados por cerca de 200 Estados conduzem a um aumento da temperatura média global de 2,7 graus centígrados (ºC), bem longe do objetivo do Acordo de Paris de conter o aquecimento bem abaixo de 2ºC, se possível em 1,5ºC.

"Os progressos das últimas semanas não foram suficientes", disse Guterres, acrescentando: "Quando vejo o pouco tempo que resta entre hoje e Glasgow, quando vejo o quão longe estamos de onde deveríamos estar, fico profundamente inquieto, mas tenho esperança".

Faltam menos de duas semanas para que a COP26 comece, na capital escocesa, em 31 de outubro, prolongando-se até 15 de novembro.

"Espero que ainda estejamos a tempo de evitar um fracasso em Glasgow, mas o tempo urge, é cada vez mais difícil, e estou muito inquieto, porque receio que as coisas corram mal", avançou.

Para evitar este fracasso, apelou ao "sentido das responsabilidades" dos governos, em particular os do Grupo dos 20 (G-20), cujos dirigentes se vão reunir mesmo antes da COP26.

"A poluição com o carbono por parte de um punhado de países colocou a humanidade de joelhos", insistiu, lembrando que o G-20 é responsável por 80% das emissões mundiais de gases com efeito de estufa. "Se não apontarem o caminho nestes esforços, vamos para sofrimentos terríveis para os seres humanos", considerou.

Leia Também: Conflitos de interesses podem prejudicar legitimidade da COP26

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