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Autoridades bielorrussas fazem rusga a instalações de jornal independente

As autoridades da Bielorrússia efetuaram hoje uma rusga à sede do principal jornal independente do país e levaram dois dos seus jornalistas para interrogatório.

Autoridades bielorrussas fazem rusga a instalações de jornal independente

Os agentes vasculharam as instalações do jornal Novy Chas (Novo Tempo) na capital bielorrussa, Minsk, e confiscaram os seus computadores e outro equipamento de escritório.

Também efetuaram buscas nos apartamentos da editora do jornal Aksana Kolb e do repórter Siarhei Pulsha e levaram-nos para um interrogatório que durou quase o dia inteiro. Não foram até agora anunciadas quaisquer acusações.

O jornal fez uma cobertura bastante extensa dos enormes protestos que irromperam no país após a reeleição do Presidente bielorrusso, Alexander Lukashenko, para um sexto mandato, nas eleições de agosto de 2020 denunciadas como fraudulentas pela oposição e pelo Ocidente.

As autoridades bielorrussas responderam com a repressão violenta das manifestações, que se saldou em mais de 35.000 detidos e milhares espancados pela polícia.

Um dos jornalistas do Novy Chas, Dzianis Ivashyn, tem estado sob custódia desde que foi detido, em março, na sequência de uma série de artigos de investigação sobre a repressão das autoridades aos protestos. Enfrenta até três anos de prisão se for condenado pela acusação de "interferência com ação policial".

No total, há 28 jornalistas bielorrussos encarcerados, a cumprirem as suas penas ou aguardando julgamento.

Entre eles, está Hienadz Mazheyka, um jornalista bielorrusso do popular diário russo Komsomolskaya Pravda, que foi detido no início deste mês, depois de escrever sobre um tiroteio num apartamento em Minsk que fez dois mortos -- um apoiante da oposição e um agente do KGB, o serviço de segurança do Estado da Bielorrússia.

A notícia de Mazheyka sobre o tiroteio citava um amigo do opositor morto que o descrevia de uma forma positiva. O jornalista enfrenta agora até 12 anos de prisão, se for condenado pela acusação de incitar a conflitos sociais e insultar autoridades.

O jornal Komsomolskaya Pravda reagiu à detenção de Mazheyka encerrando a sua delegação na Bielorrússia.

As autoridades russas lamentaram a situação, mas não criticaram as autoridades da Bielorrússia, país que tem relações políticas, económicas e militares estreitas com a Rússia.

"No centro da Europa, as autoridades locais estão a realizar uma experiência sombria, tentando privar os cidadãos do acesso a qualquer informação independente", sustentou Andrei Bastunets, o diretor da Associação dos Jornalistas Bielorrussos.

"Os órgãos de Comunicação social independentes na Bielorrússia conseguem ainda existir graças à Internet, mas as autoridades claramente adotaram a Coreia do Norte como modelo", comentou.

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