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"Negação do Holocausto" contribui para emergência do ódio no mundo

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, alertou hoje que a negação, distorção e o esquecimento do Holocausto estão a contribuir para a emergência do ódio no mundo.

"Negação do Holocausto" contribui para emergência do ódio no mundo

"A negação, distorção e minimização do Holocausto estão em crescendo", disse António Guterres numa mensagem em vídeo a uma reunião internacional na cidade sueca de Malmo sobre o extermínio de milhões de judeus e outras comunidades durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Guterres disse que o Holocausto "não foi uma aberração cometida por algumas pessoas terríveis, mas o culminar de milénios de ódio".

"Foi um ato de crueldade e horror calculados sem precedentes", disse, referindo-se ao "assassínio sistemático de cerca de seis milhões de judeus e milhões de pessoas de outras comunidades" pelo regime nazi alemão.

Para o líder da ONU, "o antissemitismo é um sismógrafo" que quanto mais ameaça o mundo "maiores são as fissuras" nos valores das Nações Unidas para a compreensão mútua e o respeito pela dignidade humana.

"É por isso que o racismo crescente, o antissemitismo, o preconceito antimuçulmano virulento e o ódio anti-refugiados que vemos hoje também são perigosos", disse.

O antigo primeiro-ministro português manifestou-se preocupado com as gerações mais jovens que "não têm nem mesmo uma compreensão básica" do Holocausto.

"Devemos refletir, aprender, ensinar e agir", afirmou.

O Fórum Internacional de Memória do Holocausto e Combate ao Antissemitismo resultou de uma iniciativa do primeiro-ministro da Suécia, Stefan Löfven.

Portugal esteve representado no fórum pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva.

Na sessão de encerramento, o ministro dos Assuntos Europeus alemão, Michael Roth, defendeu que a Alemanha "tem de fazer mais esforços na luta" contra o anti-semitismo e a discriminação de outras comunidades.

"As coisas estão mal e é por isso que precisamos de uma estratégia de tolerância zero", disse Roth.

"Temos de criar uma sociedade multirreligiosa, multiétnica, multicultural, em que todos possam viver. E isto aplica-se ao meu país e a todo o mundo", acrescentou.

Em conferência de imprensa, o primeiro-ministro sueco anunciou algumas das medidas com que se comprometeu no fórum, incluindo a apresentação, em 2022, de programas de ação contra o anti-semitismo, o anticiganismo, a islamofobia e o racismo.

"O racismo organizado e o apoio ao racismo organizado serão criminalizados e uma comissão parlamentar irá considerar se a negação do Holocausto deve ser criminalizada de forma mais clara", disse.

Stefan Löfven anunciou também que o governo sueco "começará a trabalhar na primeira estratégia de sempre para promover a vida judaica na Suécia".

A Aliança Internacional de Memória do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês) anunciou que os vários governos e organizações representados no fórum de Malmo prometeram reforçar o combate contra o antissemitismo e outras formas de racismo nas redes sociais e fora delas.

A secretária-geral da IHRA, Kathrin Meyer, alertou que a distorção do Holocausto, "muitas vezes disseminada através das redes sociais", (...) abre caminho ao anti-semitismo, à negação do Holocausto e ao nacionalismo extremo".

"Estamos satisfeitos por ver líderes mundiais solidários para assumir novos compromissos na luta contra este mal", acrescentou.

Portugal, que é um dos 34 membros da IHRA, instituiu o programa "Nunca Esquecer", em junho de 2020, para preservação da memória do Holocausto e promoção dos direitos humanos.

Leia Também: Guterres condena atentado a mesquita afegã e pede liberdade religiosa

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