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Assessor de May nega que UE tenha instrumentalizado Irlanda do Norte

O chefe de gabinete da ex-primeira-ministra Theresa May rejeitou hoje a teoria do Governo britânico de que a União Europeia tentou instrumentalizar a questão da Irlanda do Norte para manter o Reino Unido dentro da união aduaneira europeia pós-Brexit. 

Assessor de May nega que UE tenha instrumentalizado Irlanda do Norte

Gavin Barwell comentava, durante um evento organizado pelo Institute for Gouvernment, o discurso do secretário de Estado para as relações com a UE, David Frost, na terça-feira em Lisboa. 

Na intervenção, Frost, que foi negociador chefe do acordo para o 'Brexit', alegou existir "um sentimento generalizado no Reino Unido de que a UE tentou usar a Irlanda do Norte para encorajar as forças políticas do Reino Unido a inverter o resultado do referendo ou, pelo menos, para nos manter estreitamente alinhados com a UE". 

Embora acredite que Bruxelas preferisse que o resultado do referendo de 2016 fosse revertido e admita que chegou a ter contactos com promotores de um segundo referendo, Barwell não pensa que os 27 tenham tentado usar a questão da Irlanda do Norte para manter o Reino Unido na união aduaneira europeia. 

"Acho que a preocupação deles era dupla. Uma que falaram muito em público, que era a solidariedade com a Irlanda, garantindo que não houvesse o regresso a uma fronteira física. A outra era (...) sobre a proteção da integridade do mercado único. Mas não acho que eles usaram a Irlanda do Norte para tentar nos manter alinhados", vincou. 

Autor de um livro de memórias onde aborda em detalhe o processo de negociação do 'Brexit', cujo impasse resultou na queda de Theresa May e eleição de Boris Johnson para primeiro-ministro, Barwell lamenta que ainda hoje "há questões genuínas que as pessoas ainda não estão realmente preparadas para enfrentar". 

Segundo a sua análise, ou o Reino Unido "permanece em algum tipo de cooperação aduaneira e alinhamento regulatório, ou existe uma fronteira entre a Irlanda do Norte e Irlanda, ou existe uma fronteira dentro do Reino Unido". 

"Não há uma solução que faça com que isso desapareça. E é por isso que ainda hoje temos dificuldades", insiste, criticando a estratégia do Governo britânico de insistir em renegociar o Protocolo da Irlanda do Norte.

Além de querer aliviar os controlos aduaneiros e burocracia previstos no Protocolo sobre mercadorias que chegam do Reino Unido à província britânica, David Frost defende o fim do papel de supervisão do Tribunal de Justiça da UE. 

"O meu problema é que, se se faz um acordo e se se faz campanha numa eleição dizendo que o acordo é fantástico, e quase imediatamente depois se começa a tentar desfazê-lo, o perigo é que as pessoas com quem se negociou pensem que não o fez de boa fé da primeira vez, e isso torna muito mais difícil a renegociação", salientou Barwell.

O antigo chefe de gabinete de Theresa May receia que as relações com anglo-europeias sofram devido a esta questão, e espera que Londres faça as suas próprias concessões caso as propostas da UE, previstas para serem publicadas hoje, sejam positivas. 

"Muitas pessoas na nossa política são complacentes e assumem que o progresso que vimos na Irlanda do Norte está garantido para durar, e eu não penso que assim seja. Penso que a forma como temos lidado com esta questão está a colocar esse progresso em risco", avisou. 

As críticas de Barwell juntam-se às do antigo assessor de Boris Johnson, Dominic Cummings, que também usou hoje a rede social Twitter para acusar o primeiro-ministro britânico de só ter percebido as implicações do Protocolo um ano depois de ter assinado o Acordo. 

O mecanismo dá à Irlanda do Norte um estatuto especial e mantém o território na prática dentro do mercado único europeu devido à necessidade de manter uma fronteira aberta com a República da Irlanda, membro da UE, para respeitar o processo de paz na região. 

O resultado foi que passaram a existir controlos aduaneiros e documentação adicionais no porto de Belfast de mercadorias que chegam do Reino Unido, criando uma espécie de "fronteira" dentro do país.

De acordo com Cummings, Boris Johnson não percebeu as verdadeiras implicações desta solução quando assinou o Acordo para a Saída do Reino Unido da UE, no final de 2019. 

"O que eu disse não significa que o primeiro-ministro tenha mentido nas eleições de 2019, ele nunca teve a menor ideia do que significava aquele acordo que ele tinha assinado. Ele nunca percebeu o que significava deixar a união aduaneira até novembro de 2020", revelou Cummings, que saiu em conflito com o seu chefe no ano passado.

Leia Também: Brexit: UE anuncia hoje propostas sobre a Irlanda do Norte

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