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Colombo divide a América Latina, 529 anos depois da conquista espanhola

Figura central das comemorações do Dia da Hispanidade, que hoje se celebra em Espanha e em países latino-americanos, o navegador Cristóvão Colombo motiva agora rejeição de povos indígenas, movimentos populares e alguns chefes de Governo no continente que descobriu. 

Colombo divide a América Latina, 529 anos depois da conquista espanhola
Notícias ao Minuto

07:47 - 13/10/21 por Lusa

Mundo Colombo

No México, a data - conhecida como Dia de Colombo ou Dia da Raça - foi marcada pelo presidente Andrés Manuel López Obrador com uma mensagem em que afirma que "está comprovado cientificamente que não existem raças", mas sim culturas.

López Obrador, do Movimento Nacional de Regeneração (Morena, esquerda), anexou à mensagem uma fotografia de uma pintura do sítio maia de Calakmul, no sudeste mexicano do estado de Campeche.

Depois de no ano passado as autoridades da capital mexicana terem removido uma estátua de Colombo, um monumento de Charles Cordier erguido no século 19, dias antes de uma manifestação para demoli-la, hoje o 529º aniversário da chegada do navegador à América foi assinalado com a substituição de uma outra estátua sua.

No lugar de Colombo, foi colocada a escultura "A jovem de Amajac", em homenagem às mulheres indígenas.

Durante as recentes comemorações dos 500 anos da conquista do atual México por Hernán Cortés e dos 200 anos da independência, o governo López Obrador elogiou a "resistência indígena" e tentou, sem sucesso, fazer com que o governo espanhol se desculpasse perante os povos indígenas.

No ano passado, López Obrador descreveu o 12 de outubro como uma data "muito polémica", enquanto o Senado mexicano o declarou o Dia da Nação Pluricultural.

Para comemorar os 529 anos de "resistência" dos povos originários da América, dezenas de indígenas marcharam nesta terça-feira no município de San Cristóbal de las Casas, no estado de Chiapas, no sudeste do país.

Os manifestantes também concentraram os seus protestos contra o Estado mexicano para exigir, com bandeiras e varas nas mãos, liberdade e justiça para os "presos políticos" indígenas.

Este ano, o México comemora os 700 anos da fundação da cidade de Tenochtitlan (1321), os 500 anos da conquista de Hernán Cortés (1521) - um evento hoje conhecido como "resistência indígena" - e os 200 anos da consumação da independência (1821). 

Em Londres, jovens ativistas do grupo Extinction Rebellion mancharam a tinta vermelha uma estátua de Cristóvão Colombo localizada em frente à embaixada da Espanha na capital britânica.

O grupo 'Extinction Rebellion Affinity Youth Network' exigiu, em nota enviada à Efe, a retirada do monumento em homenagem a Colombo, considerando que a "invasão europeia" da América "iniciada por Cristóvão Colombo" em 1492 causou inúmeras mortes entre os indígenas.

Os ativistas que realizaram o protesto carregavam faixas com o slogan "Colombo deve cair" e também acenderam uma chama ao lado do monumento, perto da legação diplomática espanhola.

Os jovens do grupo criticaram "o papel de Colombo nessas atrocidades" e sua "elevação como uma grande figura da história europeia".

Quatro integrantes do grupo foram detidos durante a ação, que foi transmitida ao vivo através das suas redes sociais, segundo a organização. 

Paralelamente ao protesto diante da embaixada espanhola, cerca de cem pessoas protestaram na Trafalgar Square, no centro de Londres, contra as celebrações de 12 de outubro.

No Peru, o Governo do presidente Pedro Castillo felicitou a Espanha pela celebração do 12 de outubro, mas também comemorou "a resistência das mulheres indígenas contra a opressora ordem colonial".

A Presidência do Peru evitou chamar 12 de outubro de Dia da Hispanidade e rebatizou-o como "Dia dos Povos Indígenas e Diálogo Intercultural".

"Vamos reconhecer e valorizar as nossas culturas e diversidade para construirmos juntos um Peru inclusivo. Vamos reforçar o compromisso em promover ações que garantam o respeito pelos direitos das comunidades", refere comunicado oficial da presidência.

Enquanto o Ministério das Culturas, que tem como ministra a advogada e defensora dos direitos humanos Gisela Ortiz, considerou este dia como "uma data fundamental que busca reconhecer e valorizar os nossos povos indígenas ou autóctones", o Ministério das Relações Exteriores, reafirmou para com Espanha "o compromisso de continuar a fortalecer a nossa relação histórica de amizade e cooperação em benefício dos nossos cidadãos"

O comunicado das Relações Exteriores motivou inúmeras críticas dos setores da esquerda ao chefe da diplomacia, Óscar Maúrtua de Romaña.

Já o Ministério da Mulher e Populações Vulneráveis ??(MIMP), a cargo da socióloga Anahí Durand, saudou a "comemoração da resistência das mulheres indígenas contra a opressora ordem colonial".

Recentemente, membros dos partidos de direita no Peru assinaram a Carta de Madrid, manifesto anticomunista promovido pelo partido nacionalista espanhol VOX, que considera a conquista da América pela coroa espanhola como "um ato de libertação" perante os impérios azteca, maia e inca.

No Equador, a data foi, até 2011, o Dia de Colombo, mas desde então foi renomeado como "Dia da Interculturalidade e da Plurinacionalidade", o que não diminuiu a carga emocional para as nacionalidades indígenas.

Como precaução contra atos de vandalismo hoje, a Polícia equatoriana protegeu com cercas uma estátua da rainha espanhola Isabel a Católica numa avenida central de Quito, que militantes do movimento indígena tentaram demolir no ano passado e também já coberta de tinta. 

Leia Também: Análise ao ADN de Cristóvão Colombo poderá revelar origem do explorador

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