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"A crise no Afeganistão não altera a necessidade" de união na NATO

O secretário-geral da NATO reconheceu hoje, em Lisboa, que o regresso dos talibãs ao poder "é uma tragédia", mas reafirmou que os aliados têm de retirar lições do Afeganistão e permanecer unidos para enfrentar novos desafios.

"A crise no Afeganistão não altera a necessidade" de união na NATO

"A crise no Afeganistão não altera a necessidade de a Europa e a América do Norte se manterem unidas na NATO", disse Jens Stoltenberg, ao intervir na 67.ª sessão anual da Assembleia Parlamentar da Aliança Atlântica, que termina hoje, em Lisboa.

Jens Stoltenberg elogiou o papel de Portugal na Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO, na sigla em inglês), incluindo em missões de combate ao terrorismo internacional no Iraque e em África.

"Portugal é um forte aliado da NATO. Contribui para a nossa segurança partilhada e para a nossa defesa coletiva de muitas formas diferentes", afirmou.

Stoltenberg disse que a necessidade de unidade transatlântica é agora maior do que alguma vez foi desde o fim da Guerra Fria devido aos novos desafios e ameaças.

Destacou, a propósito, a Rússia, que "é responsável por ações agressivas contra os seus vizinhos" e por "tentativas de interferir" nas democracias dos aliados.

Referiu também a China, que "está a usar assertivamente o seu poder para coagir outros países e controlar o seu próprio povo", além de "investir em infraestruturas críticas" em diversos países da NATO, "desde redes 5G a portos e aeroportos".

Stoltenbeg destacou também os ciberataques, as tecnologias disruptivas, a proliferação nuclear e as alterações climáticas como novos desafios e ameaças aos aliados.

"Juntos, continuaremos a enfrentar a instabilidade, a combater o terrorismo e a salvaguardar a ordem internacional baseada em regras, através da intensificação da formação e do reforço das capacidades dos parceiros", disse.

O antigo primeiro-ministro norueguês e secretário-geral da NATO desde 2014 insistiu na ideia de que os aliados nem sempre estão de acordo em todas as questões, mas concordam que são mais fortes quando estão unidos.

"No Afeganistão, estivemos juntos durante 20 anos. E juntos, tomámos a decisão de partir, após extensas rondas de consultas", disse.

Stoltenberg defendeu que a comunidade internacional deve preservar os ganhos da presença de 20 anos no Afeganistão, nomeadamente no combate ao terrorismo e nas questões sociais e económicas no país asiático.

Também deve continuar a retirar do país afegãos em risco e "usar toda a influência" para "responsabilizar os talibãs pelos seus compromissos", incluindo na "passagem segura, direitos humanos e terrorismo".

Stoltenberg disse também que a União Europeia é um parceiro de "particular importância" para a NATO e que está a trabalhar com os dirigentes europeus na aprovação, até ao final do ano, de uma nova declaração conjunta para "reforçar ainda mais as relações NATO-UE".

O secretário-geral saudou os esforços da UE em matéria de defesa e disse que há sete anos consecutivos que se regista um aumento das despesas de defesa na Europa, incluindo Portugal, e no Canadá.

"Mas estes esforços não devem duplicar a NATO. As nossas nações têm recursos finitos, e apenas um conjunto de forças. E precisamos de os utilizar da melhor forma possível", alertou.

Stoltenberg referiu-se ainda ao trabalho em curso sobre o novo conceito estratégico da NATO, que será aprovado na cimeira de Madrid, em 2022, e substituirá o que foi aprovado em Lisboa, em 2010.

Disse que o documento será uma oportunidade de "reafirmar a centralidade da ligação transatlântica" e o compromisso com os valores da "democracia, Estado de direito e liberdade individual".

Criada em 1955, a assembleia parlamentar da NATO reúne legisladores dos 30 Estados-membros da Aliança Atlântica e membros associados.

A 67.ª sessão anual decorreu em Lisboa entre sexta-feira e hoje, e contou também com intervenções do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, do presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, do primeiro-ministro, António Costa, e da presidente da Câmara dos Representantes norte-americana, Nancy Pelosi.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, esteve representado pelo subsecretário-geral da organização, Jean-Pierre Renaud Lacroix.

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