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Partido Comunista checo arrisca derrota histórica nas legislativas

Um vídeo intitulado "Adeus camaradas" tornou-se viral nas vésperas das legislativas checas de sexta-feira e sábado, que podem eliminar do parlamento o Partido comunista, 32 anos após a queda do regime durante a "revolução de veludo" de 1989.

Partido Comunista checo arrisca derrota histórica nas legislativas

O vídeo exibe uma fila de pessoas junto a uma mercearia e recorda as longas esperas para adquirir diversos produtos básicos na época de economia planificada na antiga Checoslováquia, entre 1949 e 1989.

Mais de três décadas após a queda do regime de partido único, o Partido comunista da Boémia e Morávia (KSCM), e pela primeira vez desde o final da Segunda Guerra Mundial, arrisca-se a não eleger qualquer deputado.

"A sua base eleitoral está em vias de desaparecer ou de os abandonar em benefício de outros partidos", indicou à agência noticiosa AFP Otto Eibl, chefe do departamento de Ciências políticas na universidade Masaryk de Brno.

"Não estão manifestamente em condições de se renovarem para assegurar a sua sobrevivência", sublinhou.

Segundo as sondagens, os comunistas checos arriscam-se a não obter a barreira mínima de 5% de votos que assegura representação parlamentar, num escrutínio onde também testa a sua capacidade para seduzir jovens eleitores.

O Partido comunista da Boémia e Morávia também se confronta com uma deserção dos seus membros e eleitores, descontentes com o seu apoio ao atual Governo do milionário populista Andrej Babis.

Em 2020, o KSCM já registou perdas significativas nas eleições regionais.

A deputada comunista checa no Parlamento Europeu, Katerina Konecna, admitiu que o seu partido não conseguiu adaptar-se a um sistema político democrático no qual "os partidos que vencem são os que depois se vendem".

O seu presidente, Vojtech Filip, na liderança do partido desde 2005 e militante desde 1983, já anunciou que vai retirar-se do cargo após as eleições legislativas.

Há três anos, e após cerca de 30 anos nas fileiras da oposição, a liderança do KSCM decidiu oferecer um apoio tácito ao Governo minoritário do primeiro-ministro milionário Andrej Babis controlado pelo seu movimento liberal-conservador e populista ANO 2011 (que significa "SIM" em checo e herdeiro do movimento Ação dos cidadãos descontentes), aliado aos sociais-democratas de esquerda.

Considerado pelo semanário financeiro Euro detentor da sexta fortuna checa, Babis inclui-se entre os 35 homens políticos envolvidos no inquérito dos Pandora Papers, publicado no domingo por diversos 'media' e onde é acusado de ter utilizado paraísos fiscais para esconder milhões, alegação que voltou a negar de forma categórica como tem sucedido em anteriores conflitos de interesses.

"Ao associarem-se ao Governo, os comunistas perderam o seu estatuto de partido de protesto", sugeriu Josef Mlejnek, politólogo na universidade Charles de Praga, citado pela AFP.

"Atualmente existem partidos de protesto mais ativos, e para mais Babis também recuperou uma parte dos eleitores reformados", acrescentou.

O atual primeiro-ministro, antigo membro do Partido comunista da extinta Checoslováquia e que foi apontado como "colaborador" da polícia secreta do anterior regime durante a década de 1980, tentou seduzir os eleitores de esquerda e de direita com aumentos das reformas e outros benefícios.

"É um enorme rival, um enorme problema. Andrej Babis tem dinheiro e uma excelente equipa de 'marketing', o que prejudica o Partido Comunista", observou Konecna, que garante 20.000 seguidores e simpatizantes na sua página Facebook mas reconhece que falta "sangue novo" à sua formação.

"Não será fácil, mas já tenho uma equipa de jovens comunistas que trabalham no duro", disse.

No entanto, Mlejnek e Eibl consideraram que caso o KSCM seja afastado do parlamento, será muito difícil garantirem um regresso ao hemiciclo de Praga. "Seria o fim para os comunistas", previu Eibl.

Leia Também: Primeiro-ministro checo multado por violar lei. Tentou controlar media

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