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80% da população mundial vive em países com altos níveis de criminalidade

Mais de três quartos da população mundial (80%) vive em países com altos níveis de criminalidade e com baixa resiliência face ao crime organizado, revela um relatório divulgado hoje e que analisa 193 Estados-membros das Nações Unidas.

80% da população mundial vive em países com altos níveis de criminalidade

Esta é uma das principais conclusões do relatório "The Global Organized Crime Index" (na designação original), desenvolvido e divulgado pela Iniciativa Global contra a Criminalidade Transnacional Organizada (GI-TOC, na sigla em inglês), que se apresenta como o primeiro grande índice que fornece uma visão e uma avaliação de todas as atividades ilícitas referenciadas à escala global.

Ao longo do documento, a GI-TOC -- organização que reúne especialistas que trabalham na luta contra a economia ilícita e os agentes criminosos -- mostra, entre outros aspetos, "a penetração dos mercados criminosos, os riscos e o impacto do crime organizado, a dinâmica dos atores criminosos e a resiliência dos países para lidar com o problema".

"Durante anos, temos perseguido sombras. Pela primeira vez, este índice dá-nos uma imagem global do crime organizado", destaca o diretor-geral da GI-TOC, Mark Shaw, citado no relatório.

Entre as principais conclusões do documento, que envolveu dois anos de trabalho, a GI-TOC aponta que o continente asiático é aquele que apresenta os níveis mais elevados de criminalidade, "embora com diferenças sub-regionais significativas", e que o tráfico de seres humanos "é o mais generalizado de todos os mercados criminosos do mundo".

O relatório destaca que as democracias têm "níveis de resistência à criminalidade mais elevados do que os Estados autoritários", alertando que os atores estatais são "os agentes mais dominantes na facilitação de economias ilícitas" e "na inibição da resiliência ao crime organizado".

A GI-TOC frisa ainda que "muitos países em conflito" e "Estados frágeis" apresentam e registam "uma vulnerabilidade aguda ao crime organizado".

A atual pandemia do novo coronavírus é igualmente tida em conta na análise, com a GI-TOC a referenciar 2020 como um ano de "turbulência" que moldou o crime organizado de muitas maneiras diferentes.

"Embora a dinâmica da criminalidade varie de país para país e de região para região, o índice mostra como os efeitos do crime organizado são multidimensionais e complexos. Muitos dos impulsionadores e facilitadores subjacentes do crime organizado transnacional tornaram-se ainda mais pronunciados como resultado da pandemia da doença covid-19", lê-se no documento.

Enquanto a economia lícita global estava paralisada devido às várias medidas impostas pelos países para tentar travar e combater a pandemia, como as medidas de confinamento ou as restrições nas viagens, os agentes criminosos estavam, segundo denuncia o documento, "a descobrir como contornar os obstáculos e explorar a situação".

"Novas oportunidades tornaram-se rapidamente evidentes na área do comércio ilícito de equipamentos de proteção pessoal, de medicamentos contrafeitos e de vacinas falsas e nas possibilidades de corrupção em redor dos contratos públicos", menciona a GI-TOC, destacando ainda que "a atividade da cibercriminalidade explodiu" em 2020 ao usufruir dos muitos milhões de pessoas que estavam em teletrabalho e que adquiriam bens e serviços através da Internet.

"Este índice reforça a base de provas sobre a qual se pode tomar medidas corretivas mais eficazes (...) Mostra até que ponto o crime organizado se tornou um problema verdadeiramente global, o que requer, portanto, uma resposta global mais estratégica", conclui Mark Shaw.

De acordo com a GI-TOC, no desenvolvimento deste índice estiveram envolvidos mais de 350 peritos técnicos, de várias temáticas e de várias áreas geográficas

Leia Também: São Tomé e Príncipe é o país africano com menos crime organizado

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