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Antigo diretor dos serviços secretos diz que Nyusi "pode dar detalhes"

O antigo diretor dos serviços secretos moçambicanos Gregório Leão disse hoje em tribunal que o Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, deve dar "detalhes" à justiça sobre o projeto de proteção costeira, que esteve na origem das 'dívidas ocultas'.

Antigo diretor dos serviços secretos diz que Nyusi "pode dar detalhes"

"Eram sessões dirigidas na altura pelo então ministro da Defesa Nacional, que é o atual Presidente da República e comandante-chefe. Então ele é que pode vir explicar com detalhe", declarou Leão, 63 anos, arguido no caso das chamadas 'dívidas ocultas'. 

O antigo diretor do Serviço de Informações e Segurança do Estado (SISE) afirmou que Filipe Nyusi coordenava as reuniões do Comando Operativo das Forças de Defesa e Segurança que debatiam o projeto de proteção da Zona Económica Exclusiva, que a justiça considera que alimentaram o pagamento de subornos. 

"Houve recomendação unânime de que era preciso apetrechar as FDS [Forças de Defesa e Segurança]" e "cada um no seu setor ia fazer o seu TPC [trabalho de casa] para o desempenho do seu papel na proteção costeira", declarou Gregório Leão. 

Já como chefe de Estado, prosseguiu, Filipe Nyusi terá apontado a Proindicus, uma das empresas estatais beneficiárias do dinheiro das 'dívidas ocultas', como parte da solução para as ameaças à segurança da costa moçambicana. 

"Eu fiquei confortável", disse, considerando "que não havia problemas com a Proindicus".

"É uma empresa viável, já temos os meios para a proteção da nossa costa. Para mim, não havia problema nenhum com a Proindicus", declarou. 

O antigo diretor do SISE remeteu ao antigo diretor da Inteligência Económica do SISE e presidente das três empresas beneficiárias do dinheiro das 'dívidas ocultas' António Carlos do Rosário respostas sobre as três firmas. 

O antigo diretor do SISE escusou-se também a responder a várias perguntas, justificando-se com o caráter "classificado" das informações na sua posse. 

A audição de Gregório Leão foi marcada por momentos de forte tensão, principalmente com o Ministério Público, tendo o arguido exigido que fosse tratado com respeito, acusando a equipa da acusação de lhe levantar a voz. 

A audição do antigo diretor do SISE, que ocupou o cargo ao longo de 12 anos, vai prosseguir na terça-feira, sendo o penúltimo arguido a ser ouvido.

António Carlos do Rosário será o último arguido a ser interrogado no julgamento do processo principal das 'dívidas ocultas', estando a sua comparência no tribunal marcada para quinta e sexta-feira. 

A justiça moçambicana acusa os 19 arguidos do processo principal das 'dívidas ocultas' de se terem associado em "quadrilha" e delapidado o Estado moçambicano em 2,7 mil milhões de dólares (2,28 mil milhões de euros) - valor apontado pela procuradoria e superior aos 2,2 milhões de dólares até agora conhecidos no caso - angariados junto de bancos internacionais através de garantias prestadas pelo Governo. 

As 'dívidas ocultas' foram contraídas entre 2013 e 2014 junto das filiais britânicas dos bancos de investimentos Credit Suisse e VTB pelas empresas estatais moçambicanas Proindicus, Ematum e MAM. 

Os empréstimos foram secretamente avalizados pelo Governo da Frelimo, liderado pelo Presidente da República à época, Armando Guebuza, sem o conhecimento do parlamento e do Tribunal Administrativo.

Leia Também: ONG defende divulgação de acordos entre Moçambique e Ruanda

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