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Puigdemont chega a Bruxelas após breve detenção em Itália

O líder independentista catalão Carles Puigdemont, acusado pela justiça espanhola de "sedição" pelo papel desempenhado no referendo sobre a independência da Catalunha em 2017, chegou hoje a Bruxelas, dias depois de um breve período de detenção em Itália.

Puigdemont chega a Bruxelas após breve detenção em Itália

A informação foi confirmada pelo advogado do ex-presidente da Generalitat (governo regional catalão) e eurodeputado desde 2019 à agência France-Presse (AFP).

"Ele está em Bruxelas e irá regressar à Sardenha [ilha italiana onde foi detido na passada quinta-feira] no domingo" para comparecer a uma audiência judicial na segunda-feira sobre o pedido de extradição exigido por Espanha, indicou o advogado Gonzalo Boie, numa mensagem enviada à AFP.

A viver na Bélgica desde 2017, para escapar às acusações da justiça espanhola, Carles Puigdemont, de 58 anos, foi detido na quinta-feira, na sequência de um mandado de captura internacional, ao chegar ao aeroporto de Alghero na Sardenha, onde ia participar no festival catalão Adifolk.

Seria libertado no dia seguinte, tendo sido autorizado a sair do território italiano após ter assegurado que regressaria à Sardenha para comparecer à audiência de extradição.

Numa conferência de imprensa realizada no sábado, Carles Puigdemont afirmou que tinha de regressar à capital belga, Bruxelas, para participar numa reunião da comissão de comércio externo, da qual diz ser membro, mas que regressaria a Itália a tempo de se apresentar em tribunal.

"A 04 de outubro apresentar-me-ei no tribunal de Sassari (Sardenha). Estarei efetivamente presente, pois apresento-me sempre que sou convocado pelos tribunais", afirmou na ocasião o independentista catalão.

O Supremo Tribunal espanhol, que emitiu um mandado de captura internacional, visou Puidgemont pelos crimes de rebelião e de desvio de fundos, entre outros, pelo seu papel na organização do referendo considerado ilegal na Catalunha a 01 de outubro de 2017.

Em fuga desde então, devido ao seu papel na tentativa falhada de independência da região espanhola da Catalunha, Carles Puigdemont continua a ser procurado pelo sistema judicial espanhol, que o acusa de "sedição" e "apropriação indevida de fundos públicos".

O líder independentista já tinha sido detido na Alemanha em março de 2018, a pedido de Espanha, mas foi libertado alguns dias depois de os tribunais alemães terem retirado a acusação de "rebelião", que desde então foi reclassificada como "sedição".

Membro do Parlamento Europeu desde 2019 pelo partido independentista Juntos pela Catalunha (JxCat), o político recebeu, durante algum tempo, imunidade parlamentar, mas a assembleia europeia levantou-a em março último, por uma grande maioria, medida que foi confirmada a 30 de julho pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE), a instância judicial europeia mais alta, após um recurso apresentado por Carles Puigdemont e por outros dois eurodeputados do partido JxCat, Toni Comin e Clara Ponsati.

Leia Também: Puigdemont confirma que vai viajar para fora de Itália

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